O “verão amazônico” é conhecido por ser um período de estiagem que se estende de julho a novembro, caracterizado por altas temperaturas e baixa umidade na região amazônica. Entretanto, o verão de 2024 tem apresentado fenômenos atípicos, como chuvas fortes e granizo, desafiando as expectativas de um período seco.
O verão amazônico tem origem no sistema meteorológico conhecido como Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), uma espécie de “cinturão de nuvens que ocorre em volta do planeta e que se desloca seguindo o movimento aparente do sol”. Isso causa o aquecimento das águas dos oceanos.
Com a chegada do inverno do hemisfério sul e o resfriamento gradual dos oceanos, a ZCIT migra para o hemisfério norte, as chuvas sobre a Amazônia reduzem, de forma que a baixa quantidade de chuvas provoca o aumento da temperatura do ar local.
No dia 27/8, o sudeste e sudoeste do estado do Pará foi surpreendido por um forte temporal que trouxe ventos intensos e precipitação de granizo, um evento incomum para esta época do ano na Amazônia. Esses fenômenos meteorológicos extremos são, em parte, explicados pelas influências simultâneas do fenômeno El Niño e do aquecimento anômalo do Atlântico Norte.
O El Niño, que está ativo em 2024, tem impacto direto na distribuição das chuvas e na circulação dos ventos, alterando os padrões climáticos globais. Embora ele contribua para a seca em grande parte da Amazônia, também pode criar condições para tempestades localizadas, especialmente quando há contrastes térmicos acentuados na atmosfera. O Atlântico Norte, mais quente que o normal, também desempenha um papel crucial ao influenciar o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que pode causar chuvas intensas em áreas onde normalmente se esperaria estiagem.
Essas tempestades fora de época, acompanhadas por granizo, são resultado de massas de ar quente e úmido sendo empurradas para a região, encontrando camadas de ar mais frio em altitudes mais elevadas. Esse encontro abrupto gera condições ideais para a formação de granizo, que, embora raro, pode ocorrer durante o verão amazônico sob certas condições meteorológicas extremas.
Dessa forma, enquanto a maioria da Amazônia sofre com a estiagem prolongada, eventos climáticos inesperados como o registrado no Pará indicam a complexidade e a variabilidade do clima na região, que em 2024 está particularmente influenciada por forças globais poderosas como o El Niño e as mudanças nas temperaturas oceânicas.
Consequências
O verão amazônico aumenta as chances de complicações respiratórias e de pele, muitas vezes causadas pelo aumento da poluição atmosférica e a emissão de material particulado de veículos, indústrias e queimadas.
O calor extremo também traz como consequências a morte de diversos animais, queimadas e queimaduras. Além disso, instalações elétricas devem receber atenção redobrada para evitar o superaquecimento e causar curtos-circuitos e incêndios. (Portal Debate)


