A Universidade Federal do Pará (UFPA) desenvolve um projeto pioneiro que usa sequenciamento genético para reforçar a preservação da biodiversidadeamazônica — começando pelo Pirarucu (Arapaima gigas), o maior peixe de água doce da Amazônia e espécie ameaçada de extinção.
Sob a coordenação do professor Sidney Santos, no laboratório de Genética Humana e Médica da UFPA, a equipe integrou biotecnologia e conservação ambiental — usando um sequenciador de DNA de alta performance, o DNBSEQ-T7, para mapear o genoma de peixes e identificar assinaturas genéticas únicas que permitem rastrear a origem dos exemplares.
Com esses dados, a pesquisa conseguiu desenvolver testes de paternidade e rastreabilidade que comprovam se o pirarucu comercializado vem de cativeiro ou da natureza — uma ferramenta essencial para conter a pesca predatória.
Além disso, o estudo já demonstrou viabilidade de reprodução controlada em cativeiro com o uso do hormônio GNRH, o que pode reduzir a pressão sobre populações silvestres e beneficiar comunidades locais que dependem da pesca e do manejo sustentável.
Expansão da Metodologia Genética e o Papel do CISAM
O plano é expandir essa metodologia genética para outras espécies nativas ameaçadas ou de alto valor ecológico e comercial, como o Filhote (Brachyplatystoma filamentosum) e quelônios amazônicos como a Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa).
A iniciativa faz parte do CISAM (Centro Integrado da Sociobiodiversidade Amazônica), uma rede que reúne 13 universidades federais com o objetivo de desenvolver soluções colaborativas para os desafios socioambientais da Amazônia — unindo preservação da natureza, ciência, educação e desenvolvimento sustentável.
Um Novo Capítulo na Conservação da Amazônia
Esse tipo de pesquisa representa uma lufada de esperança. Ao combinar tecnologia de ponta e conhecimento tradicional, a Amazônia pode abrir um novo capítulo em conservação: onde o “prato” sustentável convive com rios vivos, peixes abundantes e comunidades ribeirinhas que voltam a pescar sem destruir. (Com Diário do Pará)


