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Uepa de Marabá forma primeira turma de Letras Libras

Para o coordenador do curso, professor Ozivan Perdigão, colação de grau representa visibilidade da língua como comunicação e expressão da comunidade surda brasileira
Turma de Letras Libras da Uepa de Marabá: marco na educação (Uepa/Ascom)
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Um marco na história de Marabá. É dessa forma que a primeira turma para surdos sairá da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Campus VIII. Os 24 graduandos se formam em outubro no curso de Letras Libras, sendo 20 alunos ouvintes e quatro alunos surdos, que defenderam o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) por meio da Língua Brasileira de Sinais. Essa comemoração é festejada com dupla motivação, em virtude do Dia Nacional do Surdo, comemorado no dia 26 de setembro.

Para o coordenador do Curso de Letras Libras da Uepa, professor Ozivan Perdigão Santos, comemorar a data com tantos resultados positivos significa uma conquista. “É visibilidade da Libras como língua regulamentada, como comunicação e expressão da comunidade surda brasileira”, afirma.
A turma que se forma agora em Marabá foi constituída a partir do primeiro vestibular específico com prova em língua de sinais realizado na região, no ano de 2017. “O surdo não tinha acesso às provas de Língua Portuguesa escrita, elas apresentavam e ainda apresentam grande impedimento para eles cursarem universidade”, afirma o professor Ozivan.

Marcia Grama, a primeira discente surda a integrar o grupo, fala do sentimento de fazer parte da turma: “Saber que sou a primeira a participar na universidade do nosso grupo de surdos em Marabá é grandioso. E ter também a responsabilidade profissional de ser professor de surdo aqui no município é gratificante, sinto uma satisfação enorme”.

A graduanda também relata que a experiência não foi fácil no início, visto que 50% dos conteúdos de pesquisas tratados em sala não tinham as variações para a Língua Brasileira de Sinais. Mas teve o apoio da universidade sempre que precisou.

“A universidade ajudou a me desenvolver academicamente, pois ela se preocupava em ter sempre um bom intérprete que nos estimulava nos estudos. Havia dificuldades por eu não conhecer algumas palavras, mas ter o apoio da universidade e suporte da bolsa estudantil todas as horas que eu precisava, fez toda a diferenca”, observa.

Marcia sai da universidade não só fazendo parte dessa história de reconhecimento e valorização, mas também construindo e contribuindo. Seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é um dicionário L1 e L2 pensado para ajudar os surdos.

L2 é a aquisição de uma língua escrita que representa a oral-auditiva, enquanto que a L1 é a representação através da linguagem de sinais, explica. Da mesma forma que crianças ouvintes adquirem, normalmente, uma língua estrangeira como segunda língua, a criança surda aprende a sua língua “materna” de forma escrita como segunda língua, completa.

“Meu TCC foi pensado para ajudar os surdos com L2 a entender as palavras. Pensei a partir das minhas vivências durante a graduação e espero contribuir e auxiliar aos que precisarem”, afirma.

O Curso de Letras Libras possui três turmas em andamento. Duas delas funcionam em Belém, no Campus I do Centro de Ciências Sociais e Educação, e a terceira está no campus da Uepa em Marabá. De acordo com a coordenação do curso, o objetivo é formar professores de Libras da Educação Básica, pesquisadores na área de educação de surdos e trazer visibilidade e importância à língua, além de amparar a comunidade como um todo. “É de suma importância a universidade contribuir com auxílio de intérpretes de Libras, com projetos de pesquisa e extensão. Temos outros pontos para serem ajustados, mas tudo é um processo”, explica o coordenador.

Em Belém, a turma de 2017, que iniciou as atividades no mesmo período que a turma do Campus VIII, concluiu o curso com 17 discentes surdos graduados. Atualmente, em média quatro alunos surdos estão cursando a graduação. Ainda para este ano está prevista a formatura de 12 discentes ouvintes e de um surdo do Campus I. Para Ozivan, o sentimento é de satisfação. “Isso mostra o processo de respeito em relação às lutas dos movimentos surdos”, declara.

Ozivan Pergigão também esclare que o Letras Libras ofertado pela Uepa não é um curso de Libras vinculado à Educação Especial, e sim um curso para graduar professores de uma língua, a Língua de Sinais, trazendo os diálogos da Libras com a Linguística e a Literatura e suas interfaces. “O que demarca o ensino de Libras é a legalização da Língua de Sinais, a partir da Lei 10.436/2002 e o decreto 5.626/2005”, finaliza. (LeiaJá)

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