Toni Cunha propõe “abrir as portas” do Hospital Regional por falta de leitos em Marabá

Prefeito utilizou suas redes sociais para expor um problema que afeta diretamente a população mais carente da Região de Carajás.
Hospital Regional do Sudeste do Pará - Foto: Reprodução

MARABÁ (PA) – A visita do ministro da Educação, Camilo Santana (PT), à Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em Marabá, acabou trazendo à tona um tema que, há décadas, desafia a saúde pública na região: a superlotação histórica do Hospital Municipal de Marabá (HMM).

Durante conversa com o ministro, o prefeito Toni Cunha (PL) apresentou uma preocupação recorrente das chamadas “cidades polos”, como Marabá e Santarém, que acabam absorvendo a demanda de dezenas de municípios vizinhos. O resultado é um sistema pressionado, com ocupação constante de leitos e dificuldades no atendimento de urgência e emergência. Serviço que poderia ser prestado também pelo Hospital Regional do Sudeste do Pará (HRSP) em Marabá.

Nas redes sociais, o prefeito passou a defender uma mudança no modelo de funcionamento dos hospitais regionais no Pará, especialmente no Hospital Regional de Marabá. Segundo ele, essas unidades operam, há décadas, em regime de “portas fechadas”, ou seja, recebem pacientes exclusivamente por meio da regulação estadual de leitos, centralizada em Belém.

Para Toni Cunha, a abertura das portas dos hospitais regionais — modelo adotado em estados como Amapá, Tocantins, Acre e Ceará — poderia contribuir para desafogar os hospitais municipais, permitindo que parte da demanda espontânea fosse absorvida diretamente pelas unidades regionais, humanizando o atendimento à população da Terra de Francisco Coelho.

Obras do novo pronto socorro de Marabá – Foto: Ascom/PMM

O desafio estrutural

A proposta, no entanto, envolve desafios técnicos e estruturais. Atualmente, os hospitais regionais no Pará não funcionam como pronto-socorro, sendo voltados principalmente para atendimentos de média e alta complexidade previamente regulados. Para se tornarem unidades de “portas abertas”, seria necessária uma adequação física, implantação de pronto-atendimento, reforço de equipes médicas e revisão dos contratos com as organizações sociais (OS) responsáveis pela gestão das casas de saúde.

Especialistas em gestão pública apontam que qualquer mudança no modelo precisa ser planejada de forma integrada entre municípios, Estado e União, garantindo financiamento adequado e ampliação da rede como um todo — e não apenas redistribuição da demanda. Neste debate, o engajamento do governador Helder Barbalho (MDB) e de sua futura substituta na gestão Hana Ghassan será de fundamental importância.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e o governador Helder Barbalho ainda não se manifestaram oficialmente sobre a proposta, mas o tema já passou a circular nos bastidores políticos e administrativos de Marabá. A população da Região de Carajás ver com “bons olhos” o acesso direto ao Regional de Marabá e aguarda uma manifestação positiva do governador do Pará.

Justiça acata ação do MPPA e determina construção de hospital pediátrico em Marabá | Portal MPPA
Hospital Municipal de Marabá (HMM) – Foto: Reprodução

Um problema histórico

A falta de leitos em Marabá não é recente. Como cidade polo regional, o município atende pacientes de cerca de 23 cidades do sudeste paraense, o que pressiona constantemente o HMM. Em períodos de surtos sazonais, como doenças respiratórias, a situação tende a se agravar como foi o caso da pandemia da Covid-19.

Nos próximos meses, a gestão municipal deverá inaugurar o novo pronto-socorro municipal, com cerca de 50 novos leitos. Por sua vez, o Governo do Estado do Pará avança na conclusão do Hospital Materno-Infantil Estadual, obra aguardada há anos e que deve ampliar a capacidade de atendimento na área obstétrica e pediátrica.

Apesar desses reforços, a própria Secretaria de Saúde de Marabá reconhece que os novos leitos não serão suficientes para resolver o déficit histórico, especialmente diante do crescimento populacional da Região de Carajás e da migração constante em busca de serviços de saúde em Marabá.

Prédio da Unifesspa – Foto: Reprodução

Hospital Universitário: esperança de médio prazo

A outra frente considerada estratégica é o Hospital Universitário da Unifesspa. A reitoria da instituição, sob a liderança do professor Francisco Ribeiro Costa, tem articulado junto ao governo federal para viabilizar o início das obras. O senador Jader Barbalho (MDB), o deputado estadual Dirceu Ten Caten (PT) e o governador Helder Barbalho também acompanham as tratativas em Brasília.

A implantação do hospital universitário é vista como uma solução estruturante: além de ampliar a oferta de leitos, permitiria formação de profissionais de saúde, fortalecimento da pesquisa e maior fixação de médicos na região, porém esta construção nos parece um pouco afastada do horizonte dos habitantes destas bandas do Pará.

Debate público e mobilização

A proposta de Toni Cunha ganhou apoio nas redes sociais. O prefeito chegou a sugerir que eleitores da Região de Carajás priorizem, nas eleições de 2026, candidatos comprometidos com a abertura das portas do Hospital Regional de Marabá ou com a ampliação da rede hospitalar local.

Mais do que uma disputa política, o debate expõe a necessidade de uma pactuação regional. A solução para a falta de leitos passa por investimentos contínuos, integração entre os entes federativos, fortalecimento da atenção básica — para reduzir internações evitáveis — e ampliação da estrutura hospitalar em uma cidade que possui menos de 50 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender quase um milhão de pessoas oriundas de 22 cidades vizinhas.

Marabá cresce, a região de Carajás se expande economicamente, e a saúde pública precisa acompanhar esse ritmo. A discussão sobre “portas abertas” nos hospitais regionais pode ser o ponto de partida para um redesenho mais amplo da rede de atendimento no sudeste do Pará — um passo essencial para garantir dignidade e acesso à população que depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). (Portal Debate)

Hospital Regional de Marabá promove a criação de Comitê de Gerenciamento ao coronavírus - Pró-Saúde
Hospital Regional do Sudeste do Pará – Foto: Reprodução

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