Cientista brasileira Tatiana Sampaio devolve mobilidade a paraplégicos e tetraplégicos

Bióloga da UFRJ desenvolve a polilaminina, proteína que restaurou movimentos em seis pacientes paraplégicos e tetraplégicos e entra na primeira fase de testes clínicos da Anvisa

A cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, bióloga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lidera uma das pesquisas mais promissoras da medicina regenerativa com a polilaminina, proteína capaz de restaurar movimentos em pacientes com lesões medulares. Seu trabalho inovador tem atraído atenção nacional e internacional e, segundo veículos brasileiros, pode colocá-la na corrida por um Prêmio Nobel de Medicina.

A polilaminina reconecta axônios, estruturas responsáveis por transmitir impulsos nervosos, criando um ambiente favorável para que o sistema nervoso se reorganize. Produzida em laboratório a partir de proteínas extraídas de placentas humanas, a substância foi aplicada em oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos. Seis deles recuperaram parcialmente os movimentos, e um paciente, que estava paralisado do ombro para baixo, voltou a andar sozinho.

Entre os casos de destaque está Bruno Drummond de Freitas, primeiro paciente tetraplégico a receber a polilaminina após sofrer um acidente de carro em 2018. Em um ano de tratamento experimental, reconquistou movimentos de braços e pernas e, recentemente, levantou 20 kg na academia, mostrando força e mobilidade renovadas. Bruno se tornou um símbolo do impacto da pesquisa e compartilha seu progresso nas redes sociais, inspirando milhares de pessoas.

Outro exemplo é o sargento Romildo Leobino, da Polícia Militar do Maranhão, baleado no pescoço durante operação policial em Bom Jardim. Menos de um mês após receber a aplicação experimental da polilaminina, apresentou melhora respiratória, ganho de força muscular e maior controle do tronco, além de movimentos musculares iniciais.

O trabalho da pesquisadora começou há mais de 28 anos, estudando a laminina, proteína essencial no desenvolvimento do organismo, que participa da organização de tecidos e do crescimento celular. A partir desse estudo, Tatiana conseguiu desenvolver a polilaminina, que permite reconstruir conexões entre neurônios e restabelecer a comunicação entre cérebro e corpo.

A polilaminina entrou na primeira fase de testes clínicos autorizados pela Anvisa, voltada à avaliação da segurança do medicamento. Cinco pacientes com lesão completa da medula espinhal receberão uma única aplicação da substância até 48 horas após o trauma e serão acompanhados por seis meses. Caso não ocorram reações adversas graves, serão iniciadas as próximas fases, que avaliarão a eficácia do tratamento.

Além dos avanços clínicos, Tatiana Sampaio reforça a dimensão humana de seu trabalho. Ela recebeu recentemente a ex-ginasta Laís Souza, tetraplégica desde 2014, quando sofreu uma fratura na vértebra C3 durante um acidente de esqui nos Estados Unidos. Há 12 anos, Laís se submete a cirurgias, tratamentos e fisioterapia. No encontro, realizado no Rio de Janeiro, a ex-atleta agradeceu pessoalmente à cientista.

Laís afirmou: “Hoje tive o privilégio de conhecer Tatiana Sampaio. Eu precisava vir pessoalmente agradecer por todos esses anos dedicados à pesquisa. Em 12 anos de lesão, acompanhei inúmeros estudos ao redor do mundo. Nenhum deles tinha despertado em mim o que senti ao conhecer a polilaminina.”

A ex-atleta, campeã em competições nacionais e internacionais, com participações olímpicas e medalhas em Jogos Pan-Americanos, destacou o trabalho pioneiro da cientista nas redes sociais. Ela disse: “Eu sempre disse que viajaria para qualquer lugar do mundo se surgisse uma pesquisa verdadeiramente promissora. E nunca, nem nos meus melhores sonhos, imaginei que essa luz estaria tão perto. Aqui na nossa casa, no nosso país.”

Laís afirmou ainda que acompanha com otimismo e cautela cada evolução do tratamento: “Torço para que os resultados avancem além do que hoje conseguimos imaginar. Deus, me permita estar viva para ver não apenas a minha vida impactada, mas a de milhões de pessoas. Que essa descoberta alcance quem já espera há décadas e também transforme o futuro das próximas gerações.” O encontro das duas comoveu milhares de fãs e atletas nas redes sociais, com mensagens de apoio de figuras como a campeã olímpica Jade Barbosa e diversos seguidores torcendo pelo sucesso do tratamento.

Tatiana Sampaio, casada e mãe de três filhos, é reconhecida como uma das cientistas mais influentes da América do Sul. Seu trabalho combina rigor científico, dedicação e cuidado com pacientes, colocando o Brasil em posição de destaque no cenário internacional de pesquisas em regeneração neural. Caso os resultados se confirmem, a polilaminina representará uma mudança histórica na forma como a medicina trata lesões medulares, transformando vidas e reacendendo a esperança de milhares de famílias. (Portal Debate)

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