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Suspeito de estupro no Delta Park II era presidente de associação

Na internet, Mário Júnior Lima da Silva jurava defender a família, mas na realidade ele estuprava a filha adolescente da esposa | Foto: Reprodução/Facebook
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Os moradores do Residencial Delta Park, em Marabá, no sudeste do Pará, receberam na manhã desta quarta-feira (28) com surpresa e indignação a notícia da prisão de Mário Júnior Lima da Silva, suspeito de estuprar a própria enteada em casa sob ameaças de morte.

O homem, conforme moradores que escreveram para o Portal logo após publicação de matéria jornalística, era presidente da Associação dos Moradores do Loteamento Delta Park II, situado às margens da BR-230 (Rodovia Transamazônica).

Durante o dia, a pauta principal no grupo que os moradores do residencial iniciaram na rede social WhatsApp era a forma com que Mário Júnior manipulava a vítima, uma adolescente de apenas 16 anos, para manter relações sexuais sem que a companheira soubesse.

Além disso, Mário Júnior deve ter cassado o mandato à frente da entidade, que é responsável por cuidar das demandas mais urgentes dos moradores (uma delas, a constante falta de água) e representá-los junto ao poder público. Uma reunião será convocada para eleger um novo presidente.

Proprietário de uma distribuidora de bebidas com o nome do residencial, Mário Júnior é casado com a mãe da vítima há seis anos, desde 2014. No relacionamento, o casal deu à luz uma filha, que está com 5 anos. O suspeito chegou até a ameaçar a mulher de morte e prometeu levar a criança com ele caso ela decidisse denunciá-lo pelo crime sexual.

Os abusos, de acordo com a adolescente, eram recorrentes nos últimos três anos. Mário Júnior escreveu na descrição do perfil social no Facebook que “cada um tem de mim o que realmente cultivar”. Ele se declara apoiador do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e alega defender a família, inclusive publicando trechos bíblicos.

Mário Júnior foi preso em flagrante na casa de uma irmã dele, arrumando as malas para ir embora de Marabá

Entenda

Narra a ocorrência registrada na 21ª Seccional Urbana que a responsável por denunciar Mário Júnior foi a mãe da vítima. A mulher estava na distribuidora de bebidas, que fica ao lado da residência do casal, quando começou a procurar pelo companheiro, que inicialmente estava no local com ela.

Ao não encontrar o homem no estabelecimento, a mulher entrou em casa. Na sala, no quarto do casal e no banheiro ele não estava. Foi quando ela percebeu um barulho estranho vindo do quarto da filha, de 16 anos. O quarto era o único cômodo da casa que estava trancado na ocasião.

A mulher resolveu, então, ir para a janela do quarto da filha para verificar o que estava acontecendo. Foi nesse momento que avistou Mário Júnior tentando pular para o lado externo. O homem, porém, acabou voltando e fechando a cortina, na tentativa de despistar a companheira.

Nada feito. A mãe da vítima conseguiu ver Mário Júnior dentro do quarto tentando se esconder e começou aí um confronto verbal, com a mulher questionando o porquê de ele estar no quarto da filha dela em posse das chaves da porta.

Sem alternativa, Mário Júnior ameaçou a companheira de morte caso contasse o que havia presenciado ou que tivesse insinuando. O suspeito prometeu que se aquele fato repercutisse negativamente, ele tomaria a filha que o casal tem juntos, de apenas 5 anos.

A mulher resolveu sair de casa com os filhos, inclusive o pequeno, e foi ao encontro do irmão, para quem relatou todo o ocorrido. Nesse momento, a vítima também resolveu desabafar, descrevendo todas as etapas do estupro e argumentando que a prática criminosa ocorria desde os seus 13 anos.

De acordo com o diretor da seccional, delegado de PC Vinícius Cardoso das Neves, que conversou com repórter do Debate na manhã desta quarta, Mário Júnior foi preso em flagrante por estupro de vulnerável na casa de uma irmã dele, arrumando as malas para ir embora de Marabá.

Ainda segundo o delegado, a adolescente foi encaminhada ao Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves” para realização de exame sexológico forense e coleta de material genético. (Vinícius Soares/Debate Carajás)

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