Suspeita inventa pet doente, usa imagem gerada por IA e aplica golpe com rifas em Marabá

O caso veio à tona após uma clínica veterinária procurar a polícia ao perceber inconsistências em relatos feitos por pessoas que buscavam informações sobre um animal que, supostamente, estaria internado no local

Uma mulher foi conduzida pela Polícia Civil do Pará na sexta-feira (17), em Marabá, suspeita de aplicar um golpe ao inventar um animal doente para arrecadar dinheiro por meio de rifas e transferências via PIX. De acordo com as investigações iniciais, ela teria utilizado a ferramenta de inteligência artificial ChatGPT para gerar a imagem do suposto animal e dar aparência de veracidade à campanha.

O caso veio à tona após uma clínica veterinária procurar a polícia ao perceber inconsistências em relatos feitos por pessoas que buscavam informações sobre um animal que, supostamente, estaria internado no local. Segundo o delegado Rodrigo Gonçalves, os funcionários estranharam a situação, já que nenhum paciente com aquelas características estava sendo atendido, e decidiram investigar por conta própria.

Durante as apurações, os colaboradores da clínica conseguiram identificar a pessoa responsável pela campanha e localizar um endereço no bairro Liberdade. Com o apoio da Polícia Civil, a equipe foi até o local e identificou a suspeita. Ela foi encaminhada à 21ª Seccional Urbana, onde foram analisados celulares e comprovantes de transferências realizadas por doadores.

As investigações indicam que, além de criar a imagem fictícia do animal, a mulher utilizava dados pessoais da própria mãe para receber os valores via PIX — sem que a familiar tivesse conhecimento do esquema. Também foi constatado que ela acionava corridas de mototáxi por aplicativo para recolher doações em dinheiro.

Apesar das evidências, a suspeita não foi presa em flagrante. Conforme explicou o delegado, o último repasse financeiro não ocorreu recentemente, o que afasta a configuração de flagrância, nos termos do Código de Processo Penal. A mulher, que está grávida, foi ouvida e liberada. O caso segue em investigação, com extração de dados dos aparelhos apreendidos, e deve resultar no indiciamento por estelionato. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Pará.

A Polícia Civil orienta que vítimas do golpe procurem a delegacia para tentar o ressarcimento dos valores. O delegado também alertou para o aumento de fraudes digitais no país e destacou a importância de verificar a veracidade de campanhas antes de realizar qualquer tipo de doação. Segundo ele, sempre que possível, o ideal é confirmar presencialmente a situação apresentada, seja em clínicas, hospitais ou residências, antes de efetuar contribuições financeiras. (Portal Debate)

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