STF define que cartão amarelo forçado não é crime esportivo; entenda o que diz a lei

Decisão beneficia diretamente o lateral Igor Cariús, do Sport, que teve o processo criminal trancado no caso investigado pela Operação Penalidade Máxima em 2022

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta terça-feira (2), que forçar um cartão amarelo, mesmo mediante pagamento de apostadores, não configura crime esportivo previsto na Lei Geral do Esporte. A decisão, que repercutiu em todo o país, envolve diretamente o caso do lateral Igor Cariús, atualmente no Sport, investigado na Operação Penalidade Máxima, que apura esquemas de manipulação em apostas esportivas.

Com o novo entendimento da Corte, o processo penal contra o atleta foi trancado, encerrando a ação que tramitava na Justiça de Goiás e afastando qualquer possibilidade de condenação criminal no caso.

O entendimento da Suprema Corte contraria decisões anteriores do STJ, que considerava o acúmulo de cartões um critério relevante no regulamento do Brasileirão e, portanto, capaz de influenciar a competição. O próprio Supremo reforçou que a decisão não se aplica automaticamente a outros jogadores investigados por manipulação esportiva, como casos envolvendo atletas denunciados em 2023.

Por que o STF diz que cartão amarelo forçado não é crime?

O voto vencedor, do ministro Gilmar Mendes, afirma que o crime previsto no artigo 198 da Lei Geral do Esporte só se aplica quando há tentativa de alterar ou falsear o resultado da competição. Para o ministro, um cartão amarelo isolado não muda placar, classificação ou andamento do campeonato.

Segundo ele, “um único cartão amarelo não tem a aptidão de influenciar o resultado de uma competição”. Dias Toffoli acompanhou o voto. O relator, André Mendonça, foi vencido.

O caso Igor Cariús: o que aconteceu?

A decisão do STF foi motivada por um habeas corpus apresentado pela defesa de Igor Cariús, investigado por supostamente receber R$ 30 mil para forçar um cartão amarelo na partida entre Atlético-MG e Cuiabá, pelo Brasileirão de 2022.

Segundo o Ministério Público de Goiás, o jogador teria sido pago por apostadores interessados na manipulação do número de cartões para lucrar em plataformas de apostas.

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