A pobreza pode fazer o corpo envelhecer mais rápido do que o natural. Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista científica Nature Medicine, conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra. De acordo com a pesquisa, ser pobre está entre os principais fatores que aceleram o envelhecimento biológico — ocupando o segundo lugar em uma lista com 25 variáveis, perdendo apenas para o tabagismo.
Os cientistas analisaram diversos aspectos sociais, econômicos e de estilo de vida e descobriram que a falta de recursos financeiros impacta diretamente o funcionamento celular e o desgaste do organismo. Itens como não ter casa própria, estar desempregado, viver de aluguel, sentir fome com frequência, não ter educação formal e ter enfrentado dificuldades econômicas recentes também aparecem no ranking como fatores agravantes do envelhecimento precoce.
Apesar de a aparência muitas vezes não refletir a idade real, o corpo humano pode envelhecer biologicamente de forma acelerada, especialmente quando submetido a condições adversas. Esse envelhecimento é medido por alterações no plasma sanguíneo e na atividade proteica do organismo.
Um outro estudo, também publicado na Nature Medicine e liderado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, apontou que o envelhecimento ocorre em três grandes “saltos biológicos”: aos 34, aos 60 e aos 78 anos. As mudanças nessas fases incluem variações em proteínas essenciais para a reparação do DNA e o funcionamento das células. Entre os 18 e os 95 anos, os cientistas mapearam quase 3 mil proteínas no sangue de mais de quatro mil voluntários e identificaram alterações significativas em 1.379 delas — um reflexo claro do desgaste celular com o tempo.
A pesquisa de Stanford reforça que o envelhecimento não é um processo linear, mas sim marcado por fases, sendo a primeira delas muito mais precoce do que se imaginava. Já a pesquisa de Oxford alerta para a importância das condições sociais e econômicas como catalisadoras desse desgaste.
Os dados deixam claro: além da genética e dos hábitos individuais, o contexto socioeconômico exerce enorme influência sobre a velocidade com que envelhecemos. Assim, combater a pobreza e promover políticas públicas que garantam acesso à educação, moradia, saúde e segurança alimentar pode ser uma estratégia eficaz para retardar o envelhecimento precoce da população.
Com informações de Metrópoles.

