MARABÁ (PA) – Desde o início do mês de janeiro de 2025, a contagem “caso a caso” pela imprensa da taxa de mortalidade fetal e neonatal no Hospital Materno Infantil (HMI), na cidade de Marabá, no sudeste do Pará, vem causando pavor entre as mulheres grávidas que necessitam dos serviços médicos da maior maternidade pública da Região de Carajás, mas este problema existe há anos, porém apenas os casos em que existia a suspeita de erro médico eram levados a público em Marabá.
De acordo com o Ministério da Saúde (MS), em muitos casos, as causas mais prováveis da morte do feto na barriga da mãe são desconhecidas, porém, em alguns casos, os óbitos poderiam ser evitados. Entre estes diagnósticos estão as complicações da gravidez como pré-eclâmpsia e complicações durante o parto, problemas na placenta ou cordão umbilical, doenças congénitas, infeções como malária e sífilis ou debilidade na saúde da mãe pelos mais diversos motivos.
Diante desta triste situação, que sempre existiu em Marabá e no Brasil, o quadro abaixo quantifica o número de mortalidade infantil e fetal ocorridos no Hospital Materno Infantil, entre os anos de 2020 a 2025, por mês e ano, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Marabá, chegando a 465 óbitos.
Qualquer morte fetal ou neonatal não pode ser considerada uma ocorrência natural, pois trata-se de uma vida que se foi, porém os números mostrados na planilha abaixo evidenciam a existência de uma exploração leviana, sensacionalista e política sobre as mortes ocorridas no HMI, nas últimas semanas, pois devido a quantidade de atendimento, o número de óbitos sempre esteve tangenciando a média nacional preconizada pelo Sistema de Informação Sobre Mortalidade ( SIM ) do Ministério da Saúde. 
Figura 1 – Fonte: Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Marabá
Segundo o Manual MSD (Versão Saúde para a Família), doenças como distúrbios de coagulação, diabetes mal controlada, distúrbio da tireoide, obesidade grave e uso de cocaína, álcool ou cigarro podem levar à morte do feto na barriga da mãe. Às vezes, o feto também morre quando ele tem problemas como uma anomalia cromossômica ou genética, anemia (escassez de glóbulos vermelhos) da mãe, um defeito congênito, infecção e a multiparidade, ou seja, a mulher ter tido mais de um bebê, logo a culpa nas mortes de fetos ou bebês não poderá ser apenas da equipe médica do Hospital Materno Infantil de Marabá como vem sendo alardeada.
A literatura médica diz que o objetivo do pré-natal é assegurar um desenvolvimento saudável durante toda a gestação, resultando em um parto seguro para a mãe, bebê e a equipe médica, além de auxiliar na identificação precoce e na prevenção de doenças que podem afetar tanto a mãe quanto o bebê. Caso ele não seja realizado com eficiência, a gestante terá problemas de saúde, o parto poderá ser comprometido e essa responsabilidade não poderá ser jogada só na conta da equipe médica de plantão. De acordo com dados fornecidos pela Secretaria de Saúde de Marabá, a maioria das mães que procuram o HMI não cumprem o exame pré-natal em sua totalidade.
Para se ter uma ideia do tamanho do número de atendimentos no Hospital Materno Infantil de Marabá, no mês de janeiro de 2025, o HMI registrou 406 nascimentos, um aumento de 7,4% em relação ao mesmo período de 2024. Destes, 211 foram partos normais e 195 cesáreos. No entanto, um dado preocupante é que 99 partos foram de pacientes vindas de outras cidades, representando 24,4% do total de nascimentos no HMI. Um número considerável de gestantes já chega ao Materno Infantil com o feto morto na barriga da mãe, entretanto estas as mortes estão sendo jogadas nas costas do HMI de maneira intencional.
Do total de partos, 165 atendimentos à gestantes no mês de janeiro de 2025 foram destinados a moradoras de outros municípios, muitos destes casos chegaram a Marabá sem a regulação ou após terem o atendimento negado em suas cidades de origem devido aos riscos na gravidez. No entanto, “essa conta” vem sendo jogada nas costas do médico obstetra por questões meramente políticas e esta prática amedronta as grávidas que fizeram seu pré-natal, conforme o protocolo do Ministério da Saúde.
Desta forma, quando se faz a contagem “caso a caso” de morte fetal e neonatal cria-se um ambiente de pânico e compromete a confiança, tranquilidade e o bem estar das mulheres grávidas. O quadro abaixo mostra a origem e a quantidade de mulheres grávidas, oriundas de outros municípios e estados, atendidas no Hospital Materno Infantil de Marabá em 2024.

Figura 2 – Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Marabá
Diante dos números apresentados pela Secretaria de Saúde de Marabá, só podemos afirmar que o número de mortes fetal e neonatal no HMI só aumentou ou não, no final do mês de dezembro de 2025, pois como pode ser comprovado na Figura 1, em várias ocasiões, o número de mortes foi igual ou muito inferior aos 13 óbitos ocorridos em janeiro de 2025, logo a campanha orquestrada contra o HMI trata-se de meras bravatas politiqueiras que estão usando as gestantes como “boi de piranha”, embora eu entenda que uma morte nunca possa ser considerada um “efeito colateral”.
De acordo com o Dr. Fábio Farias, diretor técnico do HMI, a nova gestão estruturou ações de curto, médio e longo prazo para qualificar o atendimento e reduzir riscos na hora do parto. No curto prazo, o Materno está investindo na aquisição de novos equipamentos, como aparelhos de cardiotocografia, fundamentais para avaliar o bem-estar fetal. Além disso, os profissionais estão sendo capacitados para identificar precocemente riscos e seguir protocolos unificados de atendimento às gestantes.
No médio prazo, estão previstas melhorias estruturais, incluindo a instalação de um banco de leite e de uma agência transfusional em um prédio anexo ao HMI. Essa mudança permitirá liberar espaço para a observação adequada das gestantes no pós-parto, evitando complicações. Para o médico, o Hospital Materno Infantil sempre foi e continuará sendo uma das melhores maternidades do interior do Pará.
Segundo Werbert Carvalho, Secretário Municipal de Saúde, 02 servidores estão respondendo a sindicância interna e 02 respondem à auditorias para apurar possíveis desvios de conduta no Hospital Materno Infantil de Marabá. Além disso, 01 funcionário do Instituto Madre Teresa, empresa responsável pela contratação de médicos para o HMI, encontra-se afastado por suposto erro laboral. Caso sejam considerados culpados, serão aplicadas as penalidades previstas em lei.
O Hospital Materno Infantil de Marabá não possui Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A unidade hospitalar conta apenas com 6 leitos convencionais de Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) e 02 leitos de Método Canguru. Werbert afirmou ainda que os recursos repassados pelo Ministério da Saúde para custear as despesas diárias do HMI são insuficientes e que a nova gestão está trabalhando para oferecer o exame de ultrassonografista 24 hora com o objetivo de qualificar o atendimento às gestantes.
Toni Cunha
A reportagem do Portal Debate falou com o Prefeito Toni Cunha (PL), na tarde desta quinta-feira (6), sobre a situação do Materno Infantil. O gestor afirmou que a Secretaria de Saúde e a Direção do HMI estão trabalhando para melhorar o atendimento às gestantes e diminuir o número de mortes na unidade hospitalar. Indagado sobre a qualidade do serviço prestado pela empresa Madre Teresa, ele disse que tudo está sendo reavaliado dentro do Hospital Materno Infantil de Marabá com o objetivo de diminuir o número de mortes e melhorar o atendimento às gestantes.
Nos bastidores, em reservado, alguns servidores relataram para a reportagem que existem algumas “viúvas” da gestão anterior que estão “selecionando notícias”, ou seja, fazendo “fuxico”, e vazando-as para setores selecionados da imprensa com o objetivo de prejudicar a atual gestão do Hospital Materno Infantil e criar pânico na população de Marabá. “Estamos de olho!!!” (Pedro Souza)



