A Medida Provisória 870/2019 foi aprovada ontem (28) pelo Senado Federal, que assim como a Câmara definiu que o Conselho de Controle de Atividade Financeira (Coaf) deve ser mantido no Ministério da Economia.

A votação representa uma vitória para o governo já que aprova a reforma ministerial proposta pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, a medida retirou do ministro da Justiça, Sérgio Moro, o Coaf e desrespeitou as reivindicações dos manifestantes que chamou às ruas no último domingo. 

No primeiro momento, o Senado aprovou por 70 a 4 o texto base da MP. Somente a liderança do PSD votou contra. “Foi um voto de protesto contra a manobra do líder do governo para que não se vote ao destaque”. 

Após a primeira votação, quatro requerimentos de destaque, todos em relação ao Coaf, foram defendidos. Em seguida, 30 de 78 senadores presentes votaram contra a permanência do Coaf na pasta da economia e segundo o presidente do Senado não havia maioria, logo a sessão foi encerrada com a aprovação da MP da maneira como estava. 

O líder do Podemos, Alvaro Dias, um dos autores do requerimentos que defendia a ida do Coaf pra o Ministério da Justiça, definiu o que aconteceu como um “tratorasso”. “É um presidencialismo de força no senado também. O presidente conduz da forma que deseja impor a sua posição política”, analisou. 

Idas e vindas 

A confusão criada pela mudança de opinião do governo, que uma hora apoia o Coaf no Ministério da Justiça e em outro momento declara apoio a manter o órgão no Ministério da Economia, foi criticada por alguns parlamentares na sessão de votação. 

O senador Randolfe Rodrigues, líder da Rede na Casa, criticou a carta enviada por Bolsonaro ao Senado. “Neste momento, esta carta que chega é uma carta que é a cara do governo Bolsonaro, a cara da confusão”, disse. O senador foi um dos que sustentou o destaque para mudar o destino do Coaf.

“Nós vamos atender o que disseram as ruas de domingo. As ruas de domingo não disseram para o Coaf ficar no Ministério da Justiça? Se o governo é confuso, ele arque com as confusões de ser governo, ele arque com as trapalhadas de ser governo”, completou.

Já o senador Otto Alencar, líder do PSD, acredita que a carta deveria ter chegado na última sexta e criticou a rápida mudança de opinião. “Deveria ter chegado das antes de os seus seguidores participarem de atos e manifestações nas ruas, atacando o Congresso Nacional. […] O Ministro Moro errou muito. Ele defendeu isso muito tempo. Mudar de opinião em cima da hora não nos convence de maneira nenhuma”, disse.

Correio Braziliense