Nesta sexta-feira (7), o Senado dos Estados Unidos aprovou a indicação do político republicano Daniel Perez para assumir a embaixada do país no Brasil. Apesar da confirmação pelos parlamentares americanos, o deputado estadual da Flórida ainda depende da autorização formal do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o posto diplomático em Brasília.
A indicação de Perez foi votada em conjunto com outras nomeações do governo do presidente Donald Trump, conforme antecipado pela CNN Brasil. O pacote reuniu 74 indicações para cargos diplomáticos e funções no Departamento de Estado, incluindo representantes dos Estados Unidos em países como Noruega, Austrália, Jamaica, Eslováquia, Camboja, Gâmbia e Brasil.
O bloco foi aprovado por 51 votos favoráveis e 47 contrários. A votação estava prevista para quinta-feira (6), mas acabou adiada após um impasse no Senado americano sobre a pauta que seria analisada antes do recesso parlamentar de cinco semanas.
Durante a discussão, o líder da minoria no Senado, o democrata Chuck Schumer, criticou a votação em bloco das indicações. Segundo ele, a medida impede uma análise individual dos nomes e favorece a aprovação de indicados que, em sua avaliação, deveriam passar por maior escrutínio.
Já o líder da maioria, o republicano John Thune, defendeu o procedimento. Ele afirmou que o Senado tem acelerado a análise das nomeações para garantir que o governo tenha seus representantes em atuação e destacou que cerca de 95% dos indicados civis aptos à votação já foram confirmados, classificando o resultado como o melhor índice de confirmações em 25 anos.
Daniel Perez foi sabatinado pelo Senado em 16 de julho e teve o nome aprovado pelo Comitê de Relações Exteriores no dia 22 do mesmo mês. Durante a audiência, afirmou que os Estados Unidos enfrentam desafios de segurança relacionados ao Brasil, citando a atuação de organizações criminosas transnacionais e a crescente influência de potências estrangeiras na região, sem mencionar diretamente a China.
Mesmo após a aprovação no Senado, Perez só poderá assumir a embaixada em Brasília após o governo brasileiro conceder o chamado *agrément*, documento por meio do qual o país anfitrião aceita oficialmente o diplomata indicado.
Segundo o professor da Temple University, Lucas de Souza Martins, enquanto o agrément não for concedido, o processo de nomeação não pode avançar. Depois dessa etapa, ainda será necessário cumprir outras formalidades previstas na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, como a comunicação oficial ao Itamaraty e a entrega das cartas credenciais.
A aprovação ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. Na terça-feira (4), o governo Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo uma autoridade do Departamento de Estado, a medida foi adotada de forma recíproca diante da demora do Brasil em conceder o agrément para Daniel Perez. (Com Roma News)


