Ao
tomarem conhecimento do convite distribuído pela Prefeitura Municipal de Marabá
(PA), através da Secretaria Municipal de Saúde, convidando representantes e
demais interessados em participar do Seminário sobre Política Nacional de Atenção Integral à Saúde LGTI-2018,
dia 4/4/2018, as entidades que representam esse segmento social, em Marabá e
Belém, ficaram indignadas, pelo fato de só tomarem conhecimento sobre a
realização do evento através das redes sociais, no dia 29/3/2018. A irritação “transbordou”
pelo fato do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher (COMDIM) e a
Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para Mulher constarem no convite
como as entidades organizadoras do evento.
“As
entidades que representam as mulheres em Marabá não conseguem resolver os
problemas delas na cidade, como vão encampar as nossas lutas?”
,
pergunta, indignado, Noé Lima, Presidente do Grupo Atitude LGBT de Marabá. Quem
conhece minimamente a comunidade, sabe que o público LGBTI, só participa de
evento sobre políticas públicas voltadas para o movimento, quando é organizado
pelas próprias entidades representantes dessa fatia social. As organizações representativas
das mulheres podem participar do Seminário com convidadas, nunca como
organizadoras. Os líderes de Marabá argumentam que as mulheres não conhecem as “dores”
do público LGBTI. “Nossas dores são muito
diferentes das lutas que as mulheres enfrentam, as companheiras já têm
problemas demais em Marabá”
, afirma Igor Silva, LGBT, Coordenador do DCE da
Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará.

Segundo
o Gerente da Livre Orientação Sexual da Secretaria de Justiça e Direitos
Humanos, do Estado do Pará (SEJUDH), Beto Paes, quem organiza o Seminário de
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde LGBTI é o Ministério da Saúde,
após discussão com os estados e municípios, mas sempre colocando as entidades LGBTI
como protagonistas do debate, não como coadjuvantes. As cidades fazem o debate
em âmbito local, elas não discutem as políticas nacionais como consta no
convite. Em contato com algumas conselheiras, elas afirmaram que não tinham
conhecimento do convite e que deve ter havido algum engano, pois o COMDIM
possui uma pauta anual de lutas e organizar o Seminário em debate não está
previsto na agenda.

Em
um áudio, Ludimila Martins, da Coordenadoria da Saúde da Mulher, disse que o
evento não é voltado exclusivamente para a comunidade LGBTI, mas sim para as
mulheres, inclusive a mulher lésbica, transgênero e transexuais. De acordo com
ela, não vai ocorrer um “seminário nacional”, mas sim uma “jornada de política
nacional”, destinada à saúde da mulher, dentro das atividades da Atenção Básica
do Ministério da Saúde, organizada pela Secretaria Municipal de Saúde, não pelo
Conselho da Mulher de Marabá, como consta no convite. Ao ouvir Vanessa Camelo,
Presidente da ONG Consciência LGBT de Marabá, ela disse que o ideal seria o
evento ser coordenado pelo Conselho da Diversidade Sexual, em conjunto com a
Coordenação da Atenção Básica. Vanessa acha que deve ter ocorrido um equívoco
na elaboração do convite. Vale lembrar que a Câmara Municipal vetou a criação
do Conselho da Diversidade Sexual, em 2017, revoltando a comunidade LGBTI. Na
manhã de ontem, 30/3/2018, já circulava outro convite com a programação do evento, constando
apenas a logomarca da Prefeitura Municipal de Marabá como organizadora do
Seminário.