Se a eleição do dia 6 de outubro de 2024 fosse “logo ali” em Marabá

Os pré-candidatos, Luciano Dias e Pedro Corrêa, lideram a preferência do eleitorado. Os dois são ligados ao atual prefeito Sebastião Miranda que possui uma aceitação popular acima de 70% do eleitorado.
Pedro Corrêa e Luciano Dias - Fotos: Reprodução

MARABÁ (PA) – Se o 6 de outubro de 2024, dia da eleição para escolha do novo prefeito de Marabá, fosse “logo ali”, o atual vereador Pedro Corrêa (União Brasil), o “Pedrinho”, ex-presidente da Câmara Municipal de Marabá (CMM), e Luciano Dias (PSD), atual vice-prefeito, certamente estariam liderando a corrida rumo à Prefeitura Municipal de Marabá (PMM), no sudeste do Pará, devido a aceitação popular do atual prefeito Sebastião Miranda (PSD), liderança maior do grupo político.

A equipe do advogado, Luciano Dias, vem fazendo um trabalho de divulgação da imagem do vice-prefeito para torná-lo mais conhecido na Terra de Francisco Coelho. Nos últimos meses, o próprio “Tião Miranda” tem publicado vídeos junto com o companheiro de chapa, na tentativa de que o político “decole” na preferência do eleitorado. A tarefa de tornar Luciano Dias o “escolhido do povo” é difícil, mas não é impossível e atributos não faltam ao causídico.

Já o vereador Pedro Corrêa é amigo pessoal de Sebastião Miranda, há cerca de 27 anos, e espera ser o “ungido”, desta vez, do prefeito para sucedê-lo no cargo. De acordo com “Pedrinho”, embora ele não tenha apoiado Thiago Miranda (MDB) na eleição para deputado estadual, em 2022, e essa decisão deixou “feridas”, o parlamentar disse que vem mantendo conversas constantes com “Tião Miranda”, sobre as eleições de 2024, na tentativa de reunificação do grupo político.

Se a eleição fosse hoje, o pragmatismo político e as “rodas de conversa” indicam que Pedro Corrêa teria a preferência da maioria do eleitorado de Marabá. O fato ocorre por ele ser um político bastante conhecido, muito habilidoso, gosta de andar no meio do “povão” e possui penetração em qualquer segmento da sociedade marabaense. Por sua vez, embora Luciano Dias seja menos conhecido, ele é o atual vice-prefeito, encontra-se na “crista da onda” e possui um estafe que dá apoio ao pré-candidato. A tendência é que seu nome passe a ganhar “volume”, nos próximos meses, da corrida eleitoral.

Se o dia 6 de outubro de 2024 fosse “logo ali”, eu não veria nenhuma chance de vitória do deputado Dirceu Ten Caten rumo a prefeitura de Marabá. O parlamentar não possui ainda uma imagem de “homem do povo” na Terra de Francisco Coelho. Ao contrário, Dirceu é visto pelos formadores de opinião, que não são filiados ao Partido dos Trabalhadores (PT), como um “político de partido”. Um parlamentar que briga pelas coisas do “PT” não para resolver os problemas de Marabá.

Para o “boi conseguir voar”, em 2024, Dirceu Ten Caten teria que saltar dos 8.719, obtidos na eleição de 2022, para cerca de 80 mil votos. Vejo que nem com a participação de Lula na campanha o deputado seria eleito prefeito de Marabá. A conta é muito simples: comenta-se nos bastidores da política local que o atual governador Helder Barbalho (MDB) deverá se comportar como um “neutro político” em Marabá, nas eleições de 2024, logo o deputado não teria uma “máquina” para apoiá-lo na dura disputa.

O Barbalho filho não vai “comprar uma briga” com Tião Miranda, a favor de Dirceu, porque o mandatário deverá ser candidato a senador nos próximos anos. Assim como Dirceu Ten Caten é aliado de Helder na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), Sebastião Miranda também é aliado do governador em Marabá. Eu não vislumbro o peso do “efeito Lula” a favor do pré-candidato petista de Marabá. Ainda mais se a gestão nacional do “petista maior” não estiver “boa das pernas”.

Segundo “Pedrinho”, durante a campanha de 2022, existiu uma “troca de apoios” entre ele e o deputado estadual “Chamozinho” (MDB), onde Pedro Corrêa apoiaria o deputado mais votado do Pará, inclusive participando de reuniões, e “Chamozinho” apoiaria “Pedrinho” na campanha para prefeito em 2024. Já de acordo com pessoas próximas ao vice-prefeito, o apoio de Helder Barbalho a Luciano Dias teria sido combinado durante as tratativas da ida de Thiago Miranda para o MDB para disputar o cargo de deputado estadual na eleição de 2022.

No entanto, Tião Miranda costuma tomar suas decisões políticas sozinho. Ele é muito pragmático, gosta de usar sua experiência pessoal e pesquisas eleitorais para calcular os “próximos passos”. De acordo com algumas pessoas próximas ao gestor marabaense, em alguns momentos, ele deixa a entender que ainda não definiu quem será seu candidato a prefeito em 2024. Há quem diga que o secretário de Obras, Fábio Moreira, “corre por fora” para receber de Sebastião Miranda a “benção” de sua candidatura a prefeito no final do ano que vem, mas Fábio ainda não se manifestou sobre o assunto.

No mês de dezembro de 2022, o médico Manoel Veloso (PDT) falou para a Reportagem do Portal Debate que não seria candidato a prefeito em 2024, porém como em política o “não” de hoje poderá se transformar no “sim” de amanhã, vamos aguardar a “água passar embaixo da ponte”. Já a advogada e ex-vereadora Irismar Melo (PP) que concorreu as eleições para prefeita de Marabá, em 2020, e ficou na 4ª colocação com 6.806 votos (5,24%), anda meio calada em relação às eleições de 2024.

O vereador e pré-candidato, Márcio do São Félix (PSDB), ex-candidato a deputado federal que não foi eleito, porém abocanhou 13. 878 votos, também ainda não se manifestou publicamente a respeito de sua pré-campanha em 2023, na cidade de Marabá. Os ventos do cenário político atual sopram para as bandas de Luciano Dias e Pedro Corrêa. No momento, vejo o PT, que nunca conseguiu eleger dois vereadores de uma só vez em Marabá, nas últimas décadas, com capital político apenas para indicar um candidato a vice-prefeito em uma chapa majoritária e “olhe lá”.

No momento, não vejo nenhum candidato da “extrema direita” com chances de se eleger prefeito em Marabá. O fato ocorre porque o grupo político de “Tião Miranda” sempre teve um perfil ideológico de centro direita. Entretanto, o atual gestor da Terra de Francisco Coelho sabe dar as “guinadas” adequadas para atender as demandas ditas de “esquerda”, ou seja, Tião “joga” muito bem nos dois lados.

Ao meu ver, outro fator relevante que colabora para o estreitamento deste viés político mais radical e conservador, em Marabá, é o fato do bolsonarismo está se “derretendo” com os últimos acontecimentos que envolvem de forma negativa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pois a cada dia surge um novo “rolo” do ex-capitão. Essa pauta negativa enfraquece o bolsonarismo Brasil afora. (Pedro Souza/Portal Debate)

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