O ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, foi absolvido em um caso de lavagem de dinheiro pelo qual havia passado 21 meses em prisão preventiva, anunciou nesta quarta-feira a Justiça da Espanha. O advogado Andrés Maluenda, responsável pela defesa, lembrou que seu cliente passou longo tempo detido e teve 13 pedidos de liberdade condicional negados no período, mesmo oferecendo € 35 milhões (cerca de R$ 154 milhões) de garantia.

– Foi um caminho longo, sofrido, um processo duríssimo. Todos comemoramos. Não é habitual que depois de estar 21 meses em prisão preventiva ganhe a liberdade – disse Maluenda.

A Audiência Nacional, tribunal com sede em Madri, absolveu o ex-dirigente e outros cinco acusados: sua esposa Marta Pineda, seu sócio Joan Besolí, Josep Colomer, Pedro Andrés Ramos e Shahe Ohannessian. Todos se livraram da pena que podia chegar inicialmente a 11 anos de cadeia – baixada posteriormente no pedido final para seis anos – por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro de comissões dos direitos audiovisuais de 24 partidas da seleção brasileira e de patrocínio da Nike. O tribunal considerou que não havia provas suficientes para se chegar à conclusão da prática dos crimes e levou em conta o princípio in dubio pro reo (em dúvida, a favor do réu).

Entenda o caso

Rosell era acusado de cobrar taxas irregulares na venda de direitos televisivos de jogos da seleção brasileira na época em que era dono da Alianto Marketing, antes de ser presidente do Barcelona, e Ricardo Teixeira, seu amigo pessoal, era presidente da CBF. Sandro foi detido em maio de 2017, quando o Supremo Tribunal da Espanha expediu uma ordem de prisão, e ganhou liberdade condicional sem fiança em fevereiro de 2019. As investigações, segundo a imprensa espanhola, tentavam mostrar que ele desviou essas transações para contas não associadas ao seu nome – o que configuraria lavagem de dinheiro.

– Negociamos a compra, 50% para mim e outro para Joan Besolí. Minha empresa foi a intermediária. Temos sede em Andorra, mas é tudo legal. Não havia dinheiro público. Não paguei nenhuma comissão a Teixeira, não é o caso. Se tivesse feito, não seria ilegal, mas não fiz – disse Rosell, em fevereiro, em entrevista à rádio espanhola RAC1.

O caso começou a ser apurado em 2015, quando uma série de dirigentes do alto escalão da Fifa foram alvos de uma operação e presos durante um congresso da entidade. A partir dali, uma série de suspeitas de esquemas de suborno e propinas foram desvendadas ao redor do mundo.

Empresário de marketing esportivo, Sandro Rosell foi diretor da Nike no Brasil e responsável por negociar o contrato com a CBF para que a empresa americana se tornasse a fornecedora de material esportivo da Seleção. Em 2010, foi eleito presidente do Barcelona e ocupou a vaga de Joan Laporta. Antes, eram aliados, depois se tornaram inimigos políticos.

O mandato de Rosell no Barça durou quatro anos, até sua renúncia, em janeiro de 2014. A saída aconteceu depois de ser acusado de fraude fiscal na contratação de Neymar em 2013. Foi inocentado após um acordo entre a diretoria do Barça e a Justiça para que a pena fosse assumida pelo clube como pessoa jurídica.

Rosell também foi alvo de investigação por sua participação na empresa Ailanto, que em 2008 foi responsável pela organização do amistoso entre Brasil e Portugal. Tal empresa, que não tinha histórico na organização de eventos desse tipo – foi criada apenas cinco meses antes do evento -, teria recebido R$ 9 milhões pelo trabalho na partida. A suspeita era de superfaturamento com passagens aéreas da delegação brasileira, hotéis para jogadores de ambas as equipes e contratação de outros serviços.

O advogado de Sandro Rosell, Antenor Madruga, informou que tanto seu cliente como a empresa Ailanto Marketing foram absolvidos de todas as acusações que sofreram no Brasil.

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