Remédio contra Alzheimer aprovado pela Anvisa promete frear doença

O medicamento Leqembi, aprovado pela Anvisa para pacientes com Alzheimer em estágio inicial, chega às farmácias brasileiras no fim de junho com promessa de retardar a progressão da doença, mas especialistas alertam para riscos, eficácia limitada e alto custo do tratamento.

O novo medicamento contra o Alzheimer, chamado Leqembi, deve chegar às farmácias brasileiras no fim de junho após aprovação da Anvisa. O remédio, cujo princípio ativo é o Lecanemabe, virou uma das maiores apostas da ciência para tentar retardar o avanço da doença em pacientes nos estágios iniciais. No entanto, o alto custo do tratamento e os possíveis efeitos colaterais já preocupam especialistas e famílias.

Desenvolvido como um anticorpo produzido em laboratório, o Lecanemabe atua diretamente sobre a proteína beta-amiloide, considerada um dos principais gatilhos do Alzheimer. Segundo o professor Júlio César Moriguti, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, o medicamento consegue reduzir significativamente o acúmulo dessa proteína no cérebro.

Os estudos publicados na revista científica New England Journal of Medicine analisaram pacientes durante 18 meses. Os pesquisadores compararam pessoas que utilizaram o medicamento com outras que receberam placebo. Apesar de os resultados indicarem redução da carga de amiloide no cérebro, os benefícios clínicos percebidos pelos pacientes e cuidadores ainda são considerados limitados.

Quais são os efeitos adversos?

Mesmo assim, especialistas reconhecem que o medicamento representa um avanço importante. Isso porque, pela primeira vez, uma terapia conseguiu agir diretamente sobre um dos mecanismos associados ao desenvolvimento da doença. Ainda assim, médicos defendem cautela antes da adoção em larga escala.

Além das dúvidas sobre a eficácia prática, os efeitos adversos também acendem um alerta. Entre os principais riscos observados nos estudos estão inchaço cerebral, micro-hemorragias e sangramentos no cérebro. De acordo com Moriguti, cerca de 27% dos pacientes tratados apresentaram complicações neurológicas relacionadas ao uso do medicamento.

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