O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a queda do avião da Voepass, em agosto de 2024, em Vinhedo (SP), foi causada por uma série de falhas operacionais, organizacionais e regulatórias envolvendo a companhia aérea, a tripulação e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
De acordo com a investigação, o ATR-72 não deveria ter decolado, já que operava com o sistema de proteção contra gelo inoperante. Durante o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo, o que comprometeu seu desempenho, provocou perda de velocidade, estol e a queda que matou 62 pessoas.
O Cenipa também apontou que os pilotos demoraram a identificar a gravidade da situação e não adotaram, a tempo, os procedimentos recomendados para sair da área de gelo intenso e manter a velocidade de segurança.
A investigação revelou ainda problemas na cultura de segurança da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos identificou ocorrências semelhantes antes do acidente, incluindo falhas recorrentes no sistema de degelo e alertas que não receberam o tratamento adequado pela empresa.
O relatório destaca ainda falhas na supervisão da Anac, que reforçou as ações de fiscalização e alterou procedimentos de monitoramento após a tragédia. Em 2025, a agência cassou os certificados de operação e manutenção da Voepass.
Segundo o Cenipa, o acidente resultou de uma sequência de decisões e falhas que permitiram a operação de uma aeronave sem condições adequadas para enfrentar o risco de formação de gelo durante o voo.


