Reintegração de posse em Marabá ameaça sustento de 300 famílias do Projeto Sororó-Itacaiunas

A comunidade também reivindica que o Estado reconheça o trabalho e os investimentos feitos ao longo dos anos, com plantios, construções e benfeitorias, e ofereça apoio técnico e indenização justa em caso de remoção

A situação das famílias que vivem há mais de 20 anos na área conhecida como Projeto Sororó-Itacaiunas, antiga Fase II do Distrito Industrial de Marabá, foi tema de uma reunião na Câmara Municipal nesta quarta-feira (29). O encontro contou com a presença de representantes da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), do vice-prefeito João Tatagiba, de vereadores e de moradores da comunidade, que pedem a permanência na área ou, em caso de reintegração de posse, o reassentamento em local produtivo.

Cerca de 300 famílias vivem na região, sustentando-se da agricultura familiar e da pesca. Segundo os moradores, o local se tornou fonte de renda, alimento e identidade comunitária ao longo de duas décadas. A reintegração de posse — solicitada judicialmente — ameaça esse modo de vida, e os representantes da comunidade pediram uma solução que preserve a dignidade das famílias.

Durante a reunião, a representante das mulheres empreendedoras da comunidade, Zizelia Lima, e o advogado Diego Souza, convidados pelo vereador Dato do Ônibus, apresentaram as principais demandas dos moradores. Eles defenderam que a eventual remoção só ocorra com reassentamento produtivo, em área equivalente em tamanho e condições de cultivo.

Advogado Diego Souza (de terno e gravata rosa) acompanha assentados durante reunião na Câmara Municipal de Marabá

Os moradores afirmam que não aceitam propostas de deslocamento para fazendas distantes e improdutivas, que os afastariam dos centros urbanos, dos mercados e das redes de abastecimento onde comercializam seus produtos. Segundo eles, essa alternativa inviabilizaria sua sobrevivência econômica.

A comunidade também reivindica que o Estado reconheça o trabalho e os investimentos feitos ao longo dos anos, com plantios, construções e benfeitorias, e ofereça apoio técnico e indenização justa em caso de remoção. O pedido central é que a decisão judicial considere o impacto humano e social da medida, garantindo transição digna e condições reais de recomeço.

Ao final da reunião, vereadores e representantes do Executivo municipal reconheceram a complexidade do caso e a necessidade de diálogo com o Governo do Estado e a Codec para evitar que a reintegração resulte em desamparo das famílias, especialmente das pessoas idosas e com deficiência que vivem na área.

O apelo dos moradores resume-se em uma frase repetida durante a reunião: “Se não pudermos ficar, que ao menos possamos continuar produzindo.” (Portal Debate)

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