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Realidade de agricultores na pandemia é tema de pesquisa em Marabá

Alunas pesquisaram o cotidiano de agricultores do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Porto Seguro.
Crédito: Reprodução
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As alunas Janaira Almeida Santos e Julyana Carvalho Kluck Silva, estudantes do Mestrado em Ciências Ambientais da Universidade do Estado do Pará (Uepa), no Campus VIII, realizaram um estudo junto a agricultores e agricultoras do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Porto Seguro, localizado a 22 quilômetros do centro de Marabá, para identificar o impacto pandemia do novo Coronavírus na produção e a renda de trabalhadores da agricultura familiar.

Para isso, as pesquisadoras mapearam o perfil dos agricultores, as características gerais das atividades e produtos. Elas analisaram o modo como eles precisaram reorganizar a dinâmica de oferta da produção, em períodos de suspensão parcial ou total das atividades comerciais, incluindo as feiras livres, no município.

A pesquisa mostra que no PDS Porto Seguro nem todos os agricultores são feirantes. Há 63 famílias residentes no local e dentre elas, dez agricultores constituíram a Associação de Produtores da Agricultura Familiar do PDS Porto Seguro, para viabilizar a comercialização dos excedentes da produção em feiras. A maior parte do que é produzido nos lotes de aproximadamente três hectares, de cada família, é destinada ao consumo próprio.

O contexto do PDS Porto Seguro foi analisado à luz de outros estudos, que destacam a relação da pandemia com o desequilíbrio ambiental e os modelos de negócio que não estão associados ao desenvolvimento sustentável, à saúde e à preservação da biodiversidade.

Já a agricultura familiar, praticada em locais como o PDS, “é importante para manutenção da agrobiodiversidade.

Além disso, tem a relação com as feiras, o que acentua o papel desses espaços para a manutenção da vida de povos tradicionais e da valorização dos mercados locais”, afirmam as mestrandas.

Como resultado da investigação, Janaira e Julyana ressaltam que um dos impactos da pandemia sobre a produção, cultivada por aqueles que também trabalham na feira, foi o aumento da produção, porque o fechamento do comércio permitiu que o tempo para se dedicarem ao cultivo e processamento fosse maior.

Mas, ao mesmo tempo em que a produção aumentava, a venda diminuía, pois com o início das medidas restritivas ao comércio, não havia como vender. Então, os agricultores começaram a ter prejuízos. A saída encontrada foi iniciar a comercialização on-line, com entrega programada nas casas dos clientes.

Nesse período, as pesquisadoras acompanharam a divulgação dos produtos da feira on-line, enquanto a Uepa participou com o fornecimento de máscaras.

Na pesquisa realizada por Janaira Santos e Juliana Kluck, foi observado que a adoção de práticas sanitárias por parte dos agricultores foi essencial para eles evitarem o adoecimento por Covid-19. “Muitos temiam levar a doença para suas famílias”, contam as pesquisadoras. Essas medidas também são apontadas entre os resultados da pesquisa como um fator que aumentou a confiança dos clientes.

Dentre os cuidados adotados pelos feirantes estão o uso de máscara, higiene pessoal com a lavagem regular das mãos e uso de álcool gel, higienização do local antes e depois da feira, higienização dos produtos e uso de sacolas na entrega.

A pesquisa realizada pelas estudantes do Mestrado em Ciências Ambientais da Uepa revelou ainda que, ao contrário do ocorrido em outros setores, os produtos oferecidos na Agricultura Familiar não sofreram aumento de preços.

Crédito: Reprodução

Valorização da agricultura familiar

Antes da pandemia, a feira Agroecológica também era realizada uma vez por mês no Campus da Uepa, em Marabá, e na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

“Na visão dos agricultores, a feira exerce papel fundamental na dinâmica socioprodutiva local e ultrapassa a simples prática de compra e venda, pois além de garantir a sobrevivência das famílias, é um espaço que interliga o rural ao urbano por meio da valorização da agricultura familiar e das práticas agroecológicas, com vistas à proteção dos recursos naturais”, afirmam as mestrandas.

Iraci de Sousa de Almeida, que no PDS Porto Seguro é a coordenadora das feiras, relata que este ano, com o relaxamento das medidas restritivas, a feira física voltou a ser montada uma vez por semana em um espaço cedido pela Comuna Cepasp, com a assessoria da Comissão Pastoral da Terra (CPT), na divulgação e organização, e da Secretaria Municipal de Agricultura de Marabá, na infraestrutura e no transporte.

A agricultora afirma que as vendas diminuíram com a pandemia, principalmente em 2020. Atualmente, ela considera que as vendas estão estabilizadas e ressalta que os agricultores não repassaram aumentos para o valor dos produtos “porque a situação financeira das pessoas em Marabá está muito difícil.

Tem muita gente passando necessidade”. Iraci relata que com o retorno da Feira Comunal dos Povos do Campo, na Comuna Cepasp, todos os sábados, os agricultores-feirantes do PDS Porto Seguro têm doado de três a quatro cestas com frutas, legumes e hortaliças a pessoas que não têm o que comer.

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Principais produtos vendidos na feira dos agricultores familiares do PDS Porto Seguro, em Marabá:

Frutas: abio, abacaxi, acerola, bacuri, biribá, banana, cacau, cajá, caju, coco, jaca, laranja, limão, mamão, manga, maracujá, melancia, melão, murici, tangerina.

Hortaliças, legumes e verdura: abóbora, alface, cebolinha, cheiro-verde, couve, inhame, jambu, mandioca, maxixe, pimenta de cheiro, pimenta do reino, quiabo.

Produtos de origem animal: galinha, leite, ovo, pato, peixe, porco.

Produtos processados: açafrão, açaí, andiroba, coloral, copaíba, farinha, polpa de frutas, farinha de puba, farinha de tapioca, tucupi.

Sementes e grãos: castanha-do-pará, fava e feijão. (Agência Pará/Texto: Guaciara Freitas)

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