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PT do Pará descarta Paulo Rocha na disputa ao Senado

Os demais partidos movem as pedras do xadrez político em busca de candidatos potenciais

Faltando nove meses para as eleições gerais mais importantes após a redemocratização do país, a polarização de duas correntes políticas majoritárias reflete o que se poderia especular sobre como emergiria das urnas 1/3 (um terço) das 81 cadeiras no Senado Federal nesse ano. Na disputa, 27 vagas, uma para cada Estado e o Distrito Federal.

No Pará já está certo e falta apenas formalizar, que o candidato do PT ao Senado será o deputado federal Beto Faro, em detrimento da pretensão de reeleição do senador Paulo Rocha, que encerra esse ano o seu mandato de oito anos na Casa Revisora do Congresso Nacional.

Está descartada a intervenção pessoal de Luis Inácio Lula da Silva para impor o nome de Paulo Rocha ao Diretório do PT paraense, presidido por, ele mesmo, Beto Faro.

Resta ao quadro histórico do PT, cujo mandato é quase enxovalhado nos arraiais petistas paraenses, como o pior mandato que um representante do partido poderia cumprir. Mas, Paulo Rocha tem como padrinho Lula, que o quer por perto na campanha desse ano. E caso seja bem-sucedido, não será surpresa se houver um Ministério reservado a um dos fundadores do partido no país.

Enquanto no PT as coisas estão claras, nos arraiais tucanos o que antes parecia certo, agora é incerto. Fonte do partido consultada pela reportagem garante que o partido está praticamente desintegrado e que há uma disputa fratricida em curso. Irmão não reconhece irmão, é inimigo do primo e que ver o cunhado morto.

Nesse clima beligerante, nada amistoso e tóxico, o ex-senador Flexa Ribeiro, tenta, mas tem enorme dificuldades de carimbar o seu como o nome que concorrerá pela legenda à única vaga em disputa.

O PSD abriria mão de lançar candidatura própria ao Senado se houvesse consistência no grupo político deixado órfão após o rompimento do ex-governador Simão Jatene com a legenda.

O PSD mira no fortalecimento da Bancada na Câmara dos Deputados, quando cumpriu a 56ª Legislatura Federal como o maior partido da bancada paraense na Casa do Povo, com quatro deputados federais, mas, terminando 2021 sabendo que com o ano novo, haverá um desfalque.

O deputado federal Delegado Éder Mauro se mudará de mala a cuia para o PL de Bolsonaro, assim que abrir o prazo, em abril, da chamada “janela partidária”, onde corre solto o troca-troca de siglas.

Quando fevereiro chegar

Quando voltarem do recesso, os senadores brasileiros estarão completando mais um ano de mandato. Um terço deles sete anos, e dois terços deles três. Olhar para os 27 parlamentares que terão que colocar suas cadeiras em jogo nas eleições de 2022 e lembrar o que ocorreu em 2018 pode apontar mudanças extremas. Na última eleição, dos 54 senadores que colocaram suas vagas em disputa, apenas 32 tentaram se manter no cargo e menos de dez conseguiram. Trata-se de eleição majoritária árdua em instante de resistência à política, mesmo que se diga que as radicalidades já atingiram seu ápice, e agora talvez venha um período mais calmo.

Efervescências à parte, esses 54 senadores que foram eleitos e alguns reeleitos, por assim dizer, no contrapé da política tradicional. Ou na ressaca dos velhos nomes ou hábitos. Mas, em política, nada não é tão enfadonho quando pode ser exuberante.

Alguns axiomas ensinam como se opera essa complexa ciência. Uma delas é a fidelidade partidária. Eleitor não gosta de político que troca de partido como se troca de camisa.

Por mais que as pessoas em geral menosprezem as legendas, desde que se entendeu que mandato majoritário pertence ao eleito, a festa não perdeu o ritmo e manteve-se em alta o tal troca-troca — que obviamente cada político consegue justificar com base em mil teorias, desculpas e interpretações da realidade.

O primeiro dado que chama a atenção está associado a uma mera curiosidade: interessante que alguns partidos passaram a controlar todas as três cadeiras de um mesmo estado no Senado Federal. São os casos do PL no Rio de Janeiro, que também tem o governador do estado e o presidente da República. Na casa alta do Legislativo: Romário em término de mandato se bandeou do PSB para o Podemos e em seguida para os liberais; Carlos Portinho, suplente do falecido Arolde de Oliveira, deixou o PSD e; Flávio Bolsonaro saiu do PSL, foi atabalhoadamente para o Patriota e desembarcou com o pai no PL.

O Paraná, por sua vez, virou reduto do Podemos a partir do trio formado por Álvaro Dias — que eleito pelo PSDB em 2014 passou pelo PV —, Flávio Arns, que foi eleito pela Rede e Oriovisto Guimarães, já escolhido pela legenda. Seria a onda Sérgio Moro, já escalado ministro em 2018, durante a campanha presidencial, pelo próprio Dias?
Au que tudo indica, a resposta é sim.

Provável, sobretudo porque no estado o ex-juiz é visto por parcelas do eleitorado como a esperança com semblante de entidade. Por fim, em Minas Gerais, até meados de dezembro todos estavam no PSD, que governa a capital Belo Horizonte com Alexandre Kalil, eleito pelo PHS e que levou com ele, na mudança, o senador Carlos Viana — que acaba de migrar para o MDB e se lançar ao governo estadual.

O presidente Rodrigo Pacheco deixou o DEM, e Antônio Anastasia, que já governou o estado, saiu do PSDB depois de anos e estava no PSD e saiu da política para assumir uma cargo de ministro vitalício no Tribunal de Contas da União, o sonho de qualquer político com carreira federal.

Escolhido para o TCU, em seu lugar assumiu o primeiro suplente Alexandre Silveira que, curiosamente, em 2014, foi eleito em sua chapa pelo PSD, já foi deputado federal e preside a legenda em Minas.

Entre os 54 “novatos” que completam os três primeiros anos do atual mandato no Senado, 19 titulares já mudaram de partido — mais de um terço (35%), entre eles, Zequinha Marinho, que liderava o nanico PSC, e agora no PL, pavimenta sua candidatura ao governo do Pará com o apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Outros cinco eleitos, quase 10%, já deixaram o mandato — some os percentuais e a conta aufere quase metade dos recém-eleitos. Dois deles faleceram de Covid, com discursos contrários à prevenção — Arolde no Rio de Janeiro e Olímpio em São Paulo. Ambos foram substituídos por agentes que já trocaram de partido. Uma política mato-grossense, Selma, foi cassada por corrupção eleitoral, a despeito de ter carregado a fama de ser, no Judiciário, “um Moro de saias”. E dois se licenciaram — Confúcio Moura em Rondônia, por razões particulares — e o ministro bolsonarista Ciro Nogueira, do PP, que deixou a vaga para a mãe, sua primeira suplente na chapa.

Mudança integral

Para que o eleitor tenha consciência do que se passa, é no Senado que a sua vontade é mais desrespeitada. Em alguns estados, a dupla de senadores eleita, ou seja, 2/3 (dois terços) que são renovados também a cada quatro anos, ou seja, dos 54 senadores eleitos em 2018, já mudou integralmente de partido. São os casos do Acre, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Norte.

O Senado é, estadualmente, o mesmo que venceu na urna, em termos de nome e partido, em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Roraima, Pernambuco, Maranhão, Bahia, Amazonas e Alagoas, ou seja, em apenas um terço das unidades federativas. Se desconsiderarmos saídas, cassações e falecimentos, essa lista poderia ter, em suplentes ou substitutos eleitos que se mantiveram nas legendas, os casos de Rondônia, Piauí e Mato Grosso.

E não se engane quem acha que isso foi uma arrumação inicial. Até o comecinho de abril temos o prazo de filiação partidária para quem vai disputar votos em 2022 — em 2024 eleições municipais, e em 2026 o pleito onde tais atores podem buscar a reeleição. Para a disputa de outubro, os 54 nomes poderiam pensar que possuem mais quatro tranquilos anos de mandato, mas aí está o ponto central. Somando todos os 81 parlamentares, o Senado se caracteriza por ser um laboratório de candidaturas, uma incubadora de sonhos. Num rápido olhar temos Rodrigo Pacheco, Simone Tebet e Alessandro Vieira na busca pela presidência da República, Jorginho Mello ou Espiridião Amin mirando o governo de Santa Catarina, Luis Carlos Heinze no Rio Grande do Sul, Carlos Viana em Minas Gerais, Styvenson no Rio Grande do Norte, Rodrigo Cunha em Alagoas, Arns no Paraná, Jaques Wagner na Bahia, Reguffe no Distrito Federal, Weverton e Roberto Rocha no Maranhão e Zequinha Marinho no Pará. Todos pelos mesmos partidos que estão hoje?

Por fim, atenção igualmente absoluta à tal fusão entre PSL e DEM, que deve criar o União Brasil. Atualmente são cinco senadores eleitos em 2018 — a despeito do trio que já deixou o PSL (2) ou foi cassado (uma) — e três que vêm da eleição de 2014.

Como fica a vida local desses políticos? Existe convivência pacífica entre o DEM dos senadores de 2018 em Rondônia, Roraima e Mato Grosso e o PSL nesses locais? E entre o PSL do Mato Grosso do Sul e do Acre, e o DEM estadual? E o trio de parlamentares do DEM eleito em 2014 no Ceará, Amapá e Sergipe? Como se dão com o PSL? Percebe? Novas mudanças poderão ocorrer, elas dão a exata dimensão de como renovar nomes não altera velhas práticas, e como partido ainda nos parece, apenas, o traje da moda para o desfile político-eleitoral. Até quando?

— A resposta cabe a cada um dos eleitores. (Val-André Mutran)

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