BELÉM (PA) – A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada, nesta última segunda-feira (27), reforçou um cenário que tende a colocar o Partido dos Trabalhadores (PT) em posição estratégica na sucessão estadual de 2026. Com a governadora Hana Ghassan (MDB) aparecendo com 24% das intenções de voto e o ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos (Podemos) com 20%, ambos permanecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro, abrindo espaço para que o eleitorado petista tenha peso decisivo na definição do próximo ocupante do Palácio dos Despachos.
A avaliação de lideranças petistas ouvidas pelo Portal Debate é de que o partido poderá ser o “fiel da balança” na eleição estadual, em 2026, principalmente diante da força eleitoral que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua demonstrando no Pará e no Brasil.
A mesma pesquisa Quaest mostra Lula liderando a corrida presidencial no estado com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL). Em todos os cenários simulados de segundo turno, o presidente também aparece à frente de seus adversários: vence Flávio Bolsonaro por 44% a 37%, Ronaldo Caiado por 46% a 30%, Renan Santos por 45% a 28% e Romeu Zema por 46% a 27% dos votos.
Esse desempenho reforça uma característica histórica do eleitorado paraense. Em 2022, Lula recebeu 2.509.084 votos, o equivalente a 54,75% dos votos válidos no estado, consolidando o Pará como um dos principais redutos eleitorais do PT no país e o PT sabe da força de sua militância.
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Histórico de força eleitoral
A influência petista no Pará não é recente. Em 2006, o Partido conquistou pela primeira vez o Governo do Estado com a eleição de Ana Júlia Carepa (PT), que derrotou o então governador Almir Gabriel (PSDB) no segundo turno e entrou para a história como a primeira mulher eleita governadora do Pará.
Mesmo quando não venceu eleições majoritárias, o PT manteve uma votação expressiva. Em 2018, o então candidato Paulo Rocha (PT) obteve 652.923 votos, correspondentes a 17,05% dos votos válidos, terminando em terceiro lugar na disputa. Nesta eleição, o presidente Lula encontrava-se preso em Curitiba (PR) a mando do ex-juiz Sérgio Moro.
Para dirigentes do Partido, aquele desempenho representa apenas uma parte do potencial eleitoral petista. A avaliação interna é de que o crescimento do eleitorado paraense desde 2018, aliado ao fortalecimento da candidatura de Lula em 2026, ampliou significativamente a capacidade de mobilização da legenda e a quantidade de votos.
Nos bastidores, integrantes do Partido estimam que o campo político ligado ao PT (Federação composta por PCdoB, PT e PV) possa alcançar cerca de 1 milhão de votos em 2026 no Pará, caso haja forte transferência do eleitorado lulista para uma candidatura apoiada oficialmente pela legenda. Trata-se de uma projeção política de dirigentes partidários, e não de um dado aferido por pesquisas, porém a Federação Brasil da Esperança tornou-se muito forte.

Vice de Hana vira ponto de tensão
A reportagem do Portal Debate conversou com filiados do PT sobre a possibilidade do deputado estadual Dirceu Ten Caten (PT) não ser escolhido para compor, como candidato a vice-governador, a chapa encabeçada por Hana Ghassan. Segundo os relatos, já houve conversas anteriores entre dirigentes petistas e o ex-governador Helder Barbalho (MDB) sobre a composição da chapa, e a expectativa é de que o entendimento seja mantido.
Caso o acordo não seja cumprido, integrantes da legenda afirmam que o Partido deverá “ir para o pau”. Para interlocutores ouvidos pela reportagem, a expressão significa que o PT poderá lançar candidatura própria ao Governo do Pará ou rever sua estratégia eleitoral nas eleições estaduais de 2026. Rola nos bastidores que Helder Barbalho teria viajado a Brasília (DF) para tratar o assunto com o presidente Lula e esta notícia deixou a militância com a “pulga atrás da orelha”.
Cenário aberto
Outro dado relevante da pesquisa é que 43% dos eleitores paraenses afirmam que ainda podem mudar seu voto para governador, enquanto 56% dizem que a decisão já está tomada. O elevado percentual de eleitores ainda abertos a mudanças indica que alianças partidárias, especialmente envolvendo o PT, poderão influenciar diretamente os rumos da disputa.
Há petista, “entusiasmado”, dizendo que se bobearem, conforme os números baixos dos candidatos e a força de Lula, o Partido possui plenas condições de levar um candidato, “puro sangue”, para a disputa de um segundo turno no Pará, pois “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, logo acho bom o MDB não arriscar durante a convenção partidária no dia 1º de agosto de 2026 em Belém.
Com Hana e Daniel separados por apenas quatro pontos percentuais e dentro da margem de erro, a definição do apoio petista poderá representar um dos fatores mais relevantes da campanha estadual no Pará. Ao mesmo tempo, eventuais divergências sobre a composição da chapa majoritária poderão alterar o cenário político e ampliar a competitividade da disputa pelo comando do Governo do Pará. (Pedro Souza)



