No Dia Mundial da Educação Ambiental, celebrado em 26 de janeiro, estudantes, professores e comunidades, de diferentes regiões do Pará, têm bons motivos para comemorar. Por meio de ações integradas de formação profissional, sustentabilidade e bioeconomia, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet) vem fortalecendo uma política pública que alia conhecimento técnico, consciência ambiental e valorização das riquezas da Amazônia, preparando novas gerações para enfrentar os desafios climáticos e socioambientais do presente e do futuro.
Nas salas de aula, nos laboratórios, nas cozinhas experimentais e até nos aplicativos desenvolvidos por estudantes, a educação ambiental deixa de ser apenas um conceito e passa a fazer parte do cotidiano de quem aprende e de quem ensina. Para o secretário da Sectet, Victor Dias, essa abordagem é fundamental para formar profissionais comprometidos com os territórios onde vivem.
“A sustentabilidade é tratada como eixo transversal em nossa proposta pedagógica. Isso estimula práticas conscientes e alinhadas às agendas ambiental, climática e social, preparando profissionais qualificados para atuar de forma responsável nas cadeias produtivas sustentáveis do Estado”, destaca Victor Dias.
Tecnologia e consciência ambiental nas EETEPAs
Nas Escolas de Ensino Técnico do Estado do Pará (EETEPAs), a sustentabilidade se conecta diretamente à inovação. Um exemplo vem da Eetepa Dr. Celso Malcher, no bairro do Guamá, em Belém, onde alunos dos cursos técnicos em Meio Ambiente e Segurança do Trabalho desenvolveram o aplicativo gamificado EcoClay. O projeto, apresentado na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, em novembro do ano passado, utiliza a linguagem dos jogos digitais para ensinar crianças e adolescentes, de 11 a 14 anos, sobre o manejo correto de resíduos sólidos e orgânicos.
Para Waltter Almeida, aluno do 3º ano do curso de Segurança do Trabalho, participar da criação do aplicativo foi uma experiência marcante. “Nosso projeto é necessário para promover a educação ambiental, principalmente para uma geração que já vive conectada ao mundo digital. Aprender sobre preservação do meio ambiente de forma interativa torna tudo mais prático e gera um impacto positivo”, disse ele.
Atualmente, a Sectet oferta 10 cursos técnicos diretamente ligados às áreas ambientais, como Meio Ambiente, Agroecologia, Florestas, Controle Ambiental e Zootecnia. Em 2026, a política alcançará 2.180 estudantes em 15 municípios paraenses, reforçando a interiorização do ensino técnico e ampliando oportunidades de inclusão social.
Educação ambiental que gera renda e preserva a natureza
No Baixo Amazonas, em Santarém, a educação ambiental também ganha forma prática. Alunos da EETEPA Francisco Coimbra Lobato, em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), participam de um projeto de criação de abelhas nativas por meio da implantação de um meliponário.
A iniciativa conta com bolsas de incentivo e envolve estudantes que atuam como multiplicadores de educação ambiental em escolas do entorno. Além de fortalecer o aprendizado em disciplinas como Biologia e nos cursos técnicos de Agricultura e Meio Ambiente, o projeto ensina, na prática, todas as etapas da produção do mel, da construção do meliponário ao manejo sustentável, colheita, beneficiamento e futura comercialização do produto junto à comunidade escolar.
Para a estudante, Alana Bianca, a experiência vai além da sala de aula. “A educação ambiental nos ensina que preservar não é só cuidar da natureza, mas aprender a conviver com ela de forma responsável. Produzir mel de maneira sustentável mostra que é possível gerar renda, conhecimento e consciência ambiental ao mesmo tempo”.(Erika Marinho-Estagiaria, com Agência Pará)


