DA REDAÇÃO — A divulgação de um vídeo promocional criado inteiramente por inteligência artificial para anunciar o “Circuito Cultural Ulianópolis” gerou grande repercussão nas redes sociais nos últimos dias. A peça, publicada no perfil oficial da Prefeitura de Ulianópolis, no sudeste do Pará, utiliza avatares, cenários e falas todos gerados por IA, sem participação de pessoas reais da cidade.
Embora a proposta tenha sido apresentar de forma inovadora a programação do evento, a publicação provocou reflexões sobre o uso da tecnologia em ações de comunicação pública — especialmente aquelas que têm como objetivo valorizar a cultura local.
Nos comentários, internautas demonstraram opiniões diversas. Alguns elogiaram a modernidade da produção, mas muitos destacaram preocupações com a falta de representatividade cultural e o uso de personagens genéricos. “Esse vídeo foi gerado por inteligência artificial!!! Vocês têm a obrigação de colocar um aviso”, comentou um seguidor. Outro afirmou: “Excluir o trabalho de artistas na própria divulgação, substituindo por robôs, é dar tiro no próprio pé”.
O debate surge em um momento em que ferramentas como o Google Veo 3 começam a ganhar espaço no mercado. O recurso, lançado recentemente pela Google DeepMind, permite a criação de vídeos altamente realistas a partir de simples descrições em texto, com controle de câmera, ambientação e falas sincronizadas. Essas ferramentas têm sido amplamente adotadas em campanhas publicitárias e institucionais, principalmente por seu potencial de economia e agilidade.
Em resposta à repercussão, a Prefeitura de Ulianópolis se pronunciou por meio de seus stories no Instagram, confirmando o uso da IA do Google para gerar o vídeo e defendendo a escolha como uma forma de “promover cultura e lazer à população economizando bastante”. Segundo a publicação, a adoção do recurso representa uma economia de dinheiro público, que pode ser direcionado a outras demandas mais relevantes.
Apesar do argumento de contenção de gastos, a discussão levantou outro ponto importante: o impacto dessas tecnologias em profissionais que atuam no setor criativo. Roteiristas, filmmakers, editores e influenciadores regionais, que normalmente teriam papel fundamental em campanhas culturais, acabam sendo substituídos por soluções automatizadas — o que gera questionamentos sobre o espaço e o valor da produção humana frente aos avanços tecnológicos.
Especialistas defendem que o uso da IA pode ser positivo quando aplicado com equilíbrio e consciência. No caso de campanhas culturais promovidas por instituições públicas, o desafio está em aliar inovação à valorização do patrimônio imaterial, da arte local e das conexões humanas. (Portal Debate)
Ver essa foto no Instagram
Uma publicação compartilhada por Thi Hernandes | Inteligência Artificial (@thihernandes.criador)

