Prefeito e deputado acusam Vale de “dar calote” em cidade do interior do Pará

Prefeito João Cleber (MDB) e deputado estadual Torrinho Torres (Podemos) estiveram na Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), em Belém, e comunicaram que São Félix do Xingu não vai liberar a licença para expansão do Projeto Onça Puma.
Projeto Onça Puma - Foto: Reprodução

SÃO FÉLIX DO XINGU (PA) – A Prefeitura, por meio do Prefeito João Cleber (MDB), tomou uma decisão histórica e não vai aceitar a Mineradora Vale minerar no solo do município sem antes cumprir com as condicionantes do acordo firmado com o município de São Félix do Xingu, no sul do Pará.

Durante uma reunião com representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), na última terça-feira (30), o gestor e o deputado estadual Torrinho Torres (Podemos) apresentaram uma proposta para que o estudo do Eia-Rima do Projeto Onça Puma seja dividido, já que São Félix do Xingu possui 73% do projeto, enquanto Parauapebas, 27% da área explorada pela Vale.

O deputado Torrinho Torres e João Cleber foram categóricos em afirmar que a Vale só vai continuar a exploração mineral em São Félix do Xingu se pagar o retroativo de tudo o que deve de impostos.

A mineradora pretende abrir um segundo forno para processamento de níquel no projeto Onça Puma, mas esbarra na resistência da prefeitura em não liberar o alvará até que a multinacional cumpra com as condicionantes do acordo firmado.

O prefeito e deputado, além de do representante do escritório de advocacia Pinheiro & Pena Forte, participaram de uma reunião, em Belém, com Rodolpho Zahluth Bastos, secretário adjunto de Gestão e Regularidade da Semas para inviabilizar a licença de operação.

Na ocasião, foi apresentado um relatório com as condicionantes que devem ser cumpridas pela Vale. O prefeito pontuou os erros que existem no projeto de licenciamento da mineradora e reforçou aos representantes da Semas que a prefeitura não irá conceder o alvará de funcionamento enquanto o município não receber a contrapartida da Vale.

“São Félix muito pouco recebeu da Vale de compensação pela extração do minério. E enquanto eu for prefeito, não vou permitir que as empresas explorem as riquezas do município sem olhar pela população, sem fazer os reparos dos danos ambientais”, criticou João Cleber.

Prefeito João Cleber (camisa quadriculada) e deputado Torrinho (à direita) – Foto: Reprodução

Respeito à população

Por sua vez, o deputado Torrinho Torres compartilhou um vídeo no qual afirma que não haverá meio termo. Ou a Vale paga o que deve de impostos, em respeito à população de São Félix do Xingu, ou deixará de explorar minerais no solo do município.

“A gente não quer migalhas. A gente quer que a Vale pague o que deve. Por isso, estamos aguardando a posição do Estado do Pará para que essas condicionantes sejam aplicadas e a Vale realmente, seja uma empresa cidadã para São Félix do Xingu”, afirmou o deputado.

Área de exploração

73% do projeto de exploração de minério do projeto Onça do Puma estão concentrados no município de São Félix do Xingu. Apesar disso, a Vale, segundo o prefeito João Cleber, não cumpre o papel social nem promove investimentos para compensar os danos ambientais desde que começou no Projeto Onça Puma.

O prefeito João Cleber tem afirmando de forma recorrente que não concederá o alvará à Vale enquanto as condicionantes não forem cumpridas. Tanto o prefeito quanto o deputado afirmam que a Vale jamais priorizou o município de São Félix do Xingu.

O deputado informou que irá cobrar do governador Helder Barbalho (MDB) que as condicionantes sejam cumpridas pela mineradora e que a Semas também não conceda a licença de operação.

Durante a reunião, o prefeito João Cleber propôs ao secretário adjunto e técnicos da Semas, que seja feito novo estudo de EIA-RIMA, agora, de forma separada. Um para São Félix do Xingu e outro para Parauapebas. A empresa tem histórico de sonegação de impostos, que está em torno de R$ 60 milhões.

As reclamações da Prefeitura de São Félix do Xingu se somam a vários outros históricos de sonegação, opressão e “tratoraço” cometidos pela mineradora Vale na Região de Carajás. A Redação do Portal Debate entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Vale a respeito do assunto, mas não obteve resposta. Assim que a mineradora se pronunciar, o texto será acrescentado na matéria. (Portal Debate, com Blog Jeso Carneiro)

Projeto Onça Puma - RC Engenharia e Consultoria
Foto: Reprodução

Nota à Imprensa

A Vale cumpre as condicionantes ambientais de todos os seus empreendimentos. Da mesma forma, a empresa efetua regularmente o recolhimento dos tributos, observando a legislação vigente.

A Vale tem como premissa contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e estabelecer relações de respeito e confiança dos territórios nos quais está presente. Com uma história de quase quatro décadas no Pará, as atividades da Vale na região refletem este compromisso com as comunidades e instituições públicas locais.

Exemplo desse compromisso os recentes investimentos na região em parceria com o governo do estado, como a construção do Hospital Regional de média e alta complexidade da PA-279, que atenderá os moradores da região, como São Félix do Xingu e outros municípios vizinhos. Na área da educação, a Fundação Vale mantém a Estação Conhecimento de Tucumã, que atende quase mil crianças em situação de vulnerabilidade social no município.

A Vale mantém diálogo permanente com a gestão municipal dos territórios onde atua, e reforça que opera a unidade de níquel, Onça Puma, em São Félix Xingu e Ourilândia do Norte, com observância às leis.

Marabá (PA), 03 de junho de 2023.

Mineradora Vale

Matéria atualizada às 11h10, de 3 de junho de 2023.

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