O prefeito de Itupiranga, José Milesi, se pronunciou sobre as denúncias de irregularidades nas obras de asfaltamento da cidade do sudeste paraense. O município é um dos investigados pela Auditoria Geral do Estado (AGE) por desvios e mau uso de verbas do programa “Asfalto na Cidade”, que, segundo as apurações, foi usado com fins eleitoreiros pelo ex-candidato do DEM ao Governo do Estado do Pará, Márcio Miranda

De acordo com informações da Auditoria Geral do Estado, as obras do programa Asfalto na Cidade, no município de Itupiranga, deveriam ter sido concluídas em outubro de 2018, mas, após a derrota de Márcio Miranda no pleito estadual, a execução do asfaltamento simplesmente foi cancelada. 

“O então governador Simão Jatene prometeu 5 km de asfalto para Itupiranga, as placas anunciaram, mas a obra não foi feita. O Programa Asfalto na Cidade deveria atender a população da Vila Boa esperança, Vila Ipiranga, Vila mangueira, bairro 12 de Outubro na sede do município, mas nenhuma dessas localidades recebeu alguma pavimentação”, diz o prefeito. 

Após apuração junto aos gestores da empresa responsável pelas obras do “Asfalto na cidade” em Itupiranga, a Leal Júnior, os empresários admitiram que subcontrataram uma segunda empresa, a MNS, de propriedade de Manoel Ribeiro Júnior, para realizar as obras em Itupiranga. Admitiram, ainda, que o serviço simplesmente não foi concluído. 

A auditoria da AGE apurou, ainda, no final do mês de janeiro deste ano, durante fiscalização sobre a execução das obras, que caminhões da empresa MNS tentaram aplicar o asfalto momentos antes da chegada dos auditores, como forma de tentar “mascarar” a execução do programa. 

Escândalo eleitoral

De acordo com a AGE, as obras do programa “Asfalto na Cidade” foram suspensas desde janeiro deste ano, após a suspeita de que parte dos recursos solicitados para o asfaltamento do município tenha sido desviado. Somente em 2018, o programa consumiu R$ 369 milhões do tesouro estadual. 

As investigações iniciaram após relatos de que prefeitos da região sudeste do estado teriam recebido promessas de melhorias asfálticas da ex-Secretaria de Municípios Sustentáveis e do candidato derrotado na disputa ao governo do estado, Márcio Miranda.

A partir das denúncias, o governador Helder Barbalho solicitou que equipes da AGE iniciassem as investigações e suspendessem as obras e pagamentos. A empresa Leal Júnior descumpriu a suspensão e retomou as obras como forma de “mascarar” o serviço. Além da suspeita de desvio de verbas, a qualidade das obras também está entre os pontos analisados pela operação.

O Asfalto na Cidade é um dos maiores escândalos do Pará. Há suspeitas de superfaturamento, propina, caixa 2, obras de má qualidade, inacabadas ou até “fantasmas” e, sobretudo, uso eleitoreiro do programa, em favor do candidato do então governador Simão Jatene, ao Governo do Estado, nas eleições de outubro: o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), Márcio Miranda. 

Em 2018, o valor consumido pelo programa custou mais do que tudo o que gastou nos anos de 2014, 2015, 2016 e 2017, somados, na maior farra de asfalto registrada em um ano eleitoral. Oitenta e um por cento desses recursos foram torrados a partir de 5 de julho, já durante o período eleitoral. 

A montanha de dinheiro e as denúncias de irregularidades acabaram gerando a abertura de investigações em várias instituições. Uma dessas frentes investigativas foi aberta, no final de janeiro, pela AGE, que é o principal órgão de fiscalização do Governo.

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