Michele Brau ( Tais Araujo )

Talvez você tenha lido o título desta notícia e pensado que Taís Araújo não interpretaria o papel por ser negra. Isso acontece porque nós já estamos realmente condicionados a pensar dessa maneira – e, dentre as muitas razões para isso, se encontra o racismo estrutural. E foi também ele que fez a atriz repensar se aceitava ou não o trabalho.

Taís foi convidada para dar vida à cientista brasileira Joana d’Arc Felix de Souza. Hoje, com 55 anos, a química é um dos principais nomes de pesquisadores do Brasil. Dentre os 82 prêmios que já ganhou na carreira, se destaca o “Pesquisadora do Ano”, que recebeu em 2014. Dado o momento histórico em que o país está vivendo, com cortes na educação e investimentos em pesquisas chegando a zero, a produção em homenagem à cientista é mais do que relevante; é necessária.

A atriz começou a reparar que algumas pessoas estavam questionando o fato de terem escolhido uma pessoa negra, mas com o tom de pele muito mais claro que o de Joana. “Achei as críticas justas. Pensei: ‘como uma pessoa que trabalha com isso, como eu, não estava alerta? Eles estão absolutamente certos’. Eu reflito o tempo inteiro sobre inclusão, representatividade e importância de todo mundo participar do mercado“, esclareceu Taís ao jornal O Globo, nesta semana.

A global ainda disse que não se chateou de forma alguma com o que aconteceu e que ainda quer participar do filme de alguma maneira. Tais ainda deixou claro que seu maior desejo é que as pessoas saibam da história da química. “[Quero que as pessoas] se inspirem e vejam como a educação pode mudar vidas“, disse.

Alê Braga, diretor do filme, disse concordar com a decisão da atriz, mas reforça que ela “está 100% no projeto” e terá outro papel nele. Taís aproveitou a repercussão na mídia da notícia para listar algumas atrizes que poderiam dar vida à Joana no cinema, como Dani Ornellas, Erika Januza, Jennifer Dias e Cris Vianna.

Capricho