MARABÁ (PA) — Com população estimada em mais de 288 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e reconhecida como um dos principais polos econômicos e urbanos do sul e sudeste do Pará, Marabá concentra hospitais, unidades de pronto atendimento e ampla rede comercial distribuída entre seus diversos núcleos. Apesar dessa estrutura e do porte médio para grande do município, moradores têm enfrentado dificuldade para encontrar farmácias abertas durante a madrugada e em horários fora do expediente comercial.
Relatos recorrentes apontam que, em diferentes regiões da cidade, o atendimento farmacêutico noturno não acompanha a dinâmica urbana. Como exemplo recente, na manhã desta quinta-feira (19/2), por volta das 6h40, a própria redação percorreu avenidas estratégicas e de grande concentração comercial, como a Nagib Mutran e a Antônio Vilhena, além de áreas nos núcleos Liberdade, Cidade Nova, Belo Horizonte e Paraíso, sem identificar estabelecimentos farmacêuticos em funcionamento naquele momento.

O cenário chama atenção porque, no mesmo horário, outros segmentos do comércio já iniciavam suas atividades, evidenciando que a cidade começa a se movimentar antes mesmo do início formal do expediente. Para a população, a ausência de farmácias abertas nesse intervalo representa obstáculo significativo, sobretudo em situações de urgência, quando o acesso rápido a medicamentos pode ser determinante.
Segundo fontes online, em 2014 houve tentativa de estruturar um regime de plantão 24 horas em Marabá, com participação da Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Sanitária, do Conselho Regional de Farmácia do Pará (CRF-PA) e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA). À época, apenas parte dos estabelecimentos aderiu ao funcionamento integral, enquanto a maioria optou por encerrar as atividades até as 21h.
Entretanto, mais de dez anos após aquela iniciativa, o modelo não se consolidou de forma permanente. As farmácias que teriam se habilitado ao funcionamento 24 horas não mantêm atualmente esse regime de maneira contínua, e também não há informações públicas amplamente disponíveis na internet indicando quais estabelecimentos estão aptos a atender a população fora do horário comercial.
Considerando que farmácias exercem função de interesse público e que emergências não se limitam ao expediente convencional, a organização e fiscalização de eventual escala de plantão inserem-se no âmbito das atribuições do poder público municipal. Compete à Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Vigilância Sanitária, juntamente com o Conselho Regional de Farmácia do Pará (CRF-PA) e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), estabelecer novas diretrizes claras, promover a devida fiscalização e assegurar que o atendimento farmacêutico esteja alinhado às necessidades da população.
Em uma cidade que se destaca como referência regional em saúde, comércio e serviços, a garantia de acesso a medicamentos durante a madrugada deixa de ser apenas uma questão comercial e passa a integrar o debate sobre estrutura urbana e responsabilidade administrativa, especialmente diante do crescimento populacional e da complexidade social de Marabá. (Portal Debate)


