A proposta do governo para a reforma da Previdência deve ser
apresentada ainda neste mês. Embora as versões sobre as regras estejam
desencontradas e confusas, a “ideia inicial” do governo de Jair
Bolsonaro
para aprovar a proposta é estabelecer de forma gradativa idade mínima
para aposentadoria de 62 anos para homens e 57 para mulheres. Eleitores e não
eleitores do presidente se dividem entre críticas e elogios aos primeiros dias
de governo. No entanto, entre os entrevistados pelo 
Correio, há o consenso de que a reforma da Previdência é fundamental
para o equilíbrio das contas públicas.

Morador
do Núcleo Bandeirante, o agente administrativo Hélio Martins Corrêa, 60 anos,
votou em Bolsonaro na expectativa de uma mudança. Ele afirma que o apoio ao
presidente é amplo. “Algumas mudanças são boas, mas não esperava que fosse, por
exemplo, extinguir e juntar ministérios. Por outro lado, sempre vou orar por
ele, para que Deus o ilumine”, diz. “A expectativa é de que dê certo, que ele
acabe com a corrupção e melhore o país, mesmo que isso exija um pouco de
sofrimento inicial. Temos que aguardar a estrutura e ver como vai ficar. A
reforma da previdência tem incógnitas, mas não me atinge, porque vou me
aposentar. Para os outros, pode não ser tão boa, porque terão que trabalhar
mais, contribuir por mais tempo. Mas temos um rombo na previdência que só
diminuirá  com algumas mudanças.”
O
cirurgião dentista Geovani Tardini, 26, também ajudou a eleger o presidente
Jair Bolsonaro. Ele defende que ainda não há como julgar o governo e que é
necessário observar efetivamente as decisões tomadas. “Foram longos anos de um
único governo. Bolsonaro acabou de entrar e as mudanças que ele fizer só terão
resultados a longo prazo. Não vejo a reforma como positiva, mas necessária. É
preciso mudar”, avalia.



Intransigência
Com
receio, uma analista da Justiça de 35 anos, que preferiu não ser identificada,
conta que não votou em Bolsonaro. “Não votei nele e não concordo com nada que
ele propõe. A primeira semana não soa como algo bem pensado, parece mais um
improviso. Mas como somos agentes de Estado, temos que seguir na mesma toada.
Nesse governo, não se sabe se há campo para divergências. Porém, a reforma da
Previdência é necessária, mas teria que ser debatida com mais diálogo e menos
intransigência”, defende.
 
A
professora Maria das Graças Silva, 43, ressalta que existe uma demonização do
servidor público, que é visto como culpado pelo rombo da Previdência, enquanto
dívidas de empresas privadas acabam perdoadas. “Bolsonaro tem que mostrar serviço,
pois tem muita pressão em cima dele. No entanto, creio que a reforma precisa
ser feita, não vai ser um milagre, será mais do mesmo. Será um pior diferente.
A pauta, como está, é ruim e tem que ser discutida com quem faz parte, não de
supetão. E nada de perdoar dívidas.”
O
arquiteto Jackson Miranda, 25, ressalta que é contra as medidas do governo de
Bolsonaro. “Nesses primeiros dias, ele mostrou despreparo. Fez declarações
machistas, homofóbicas. Defende armamento. Ele é um retrocesso para as minorias,
para índios, LGBT. Vemos que ele toma decisões precipitadas e creio que a
tendência é piorar. Em relação à reforma da Previdência, tem que ver o que ele
vai propor. Tem que ser algo que não beneficie os mais ricos em detrimento de
quem ganha menos”, opina.
Fonte: Correio Brazilense