A violência envolvendo agentes de segurança e civis no estado do Pará teve um aumento significativo em um ano, conforme dados divulgados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública nesta quinta-feira (20).
Em relação aos agentes de segurança, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) registrou 12 policiais mortos em 2021, número que subiu para 17 no ano seguinte. O índice de mortes de agentes de segurança, empatado com Tocantins, é o segundo mais alto do país, com uma taxa de uma morte a cada 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de Piauí, que apresentou um índice de 2,3 em 2022.
Um dos casos ocorridos no Pará foi o do sargento da Polícia Militar, Milton Carlos Silva de Menezes, de 41 anos, morto na porta de sua casa em Bragança, distante 195.27 km da capital Belém. No dia seguinte, um suspeito foi morto por policiais. Além desse caso, outra morte de policial havia sido registrada em menos de 24 horas, no distrito de Icoaraci, na capital.
Em relação às mortes de civis em ações policiais, os números também são preocupantes. Em 2021, foram 548 mortes, enquanto em 2022, esse número saltou para 621, representando um aumento de 12,7%.
Esses índices posicionam o Pará entre as cinco polícias que mais mataram no Brasil em 2022, com uma taxa de 7,7 mortes por 100 mil habitantes. Os estados com índices mais elevados foram Sergipe (7,9); Rio de Janeiro (8,3); Bahia (10,4); e Amapá (16,6).
Além disso, o estado do Pará também registrou o pior índice de mortes violentas nos últimos três anos. Em 2022, o número de vítimas chegou a 2.997, ultrapassando os valores de 2019 (3.497), 2021 (2.964) e 2020 (2.876). O aumento nesses três anos foi de 0,6%.
O estado tem ainda a 7ª cidade mais violenta do Brasil: Altamira, com taxa de 70,5 mortes por 100 mil habitantes.
O município teve ondas de violência com mortos e feridos. Em uma delas, doze pessoas tinham sido assassinadas e os crimes foram associados às facções criminosas, segundo o governo. A Polícia precisou reforçar a patrulha.
O Pará é também o terceiro estado mais violento da região Norte, com 36,9 mortes a cada 100 mil habitantes, atrás do Amazonas (38,8) e Amapá (50,6).
As taxas ficam acima da média nacional – de 23,4 por 100 mil habitantes; e também acima da média na Amazônia, que chegou a 33,8 por 100 mil habitantes.
O Anuário aponta que na Amazônia Legal há dois fatores que contribuem diretamente para a violência letal na região: “a intensa presença de facções do crime organizado e de disputas entre elas pelas rotas nacionais e transnacionais de drogas que cruzam a região; e o avanço do desmatamento, garimpos ilegais e a intensificação de conflitos fundiários”.
Outros estudos do FBSP já indicavam que a violência na Amazônia está associada à violência do narcotráfico e às disputas entre as facções, além da intensificação dos conflitos fundiários com o avanço do desmatamento; e da exploração ilegal de recursos naturais.
Em contrapartida, o estado do Pará reduziu em um ano as despesas com segurança pública, isso proporcionalmente ao total de despesas do governo. A segurança tinha 11,5% dos gastos em 2021 e diminuiu para 10,7% no ano seguinte.
A recomendação do Fórum para combater este cenário é a aplicação de outros arranjos federativos e de cooperação na prevenção e enfrentamento de crimes e violências.


