MARABÁ, SUDESTE DO PARÁ — Num esforço conjunto, a Polícia Civil e o Ministério Público do Pará estão conduzindo investigações sobre atividades suspeitas de influenciadores digitais em Marabá, no sudeste do Estado. As influencers, como Gabriela Fidelis, Raiza Nascimento, Leidiane Barbosa, Roselaine Andrade, Daniele Brito, Kelren Silva, Mell Letícia, Thalia Oliveira e Dani Amaral são acusadas de promoverem o polêmico “Jogo do Tigre” e plataformas similares.
O amplamente popular “Jogo do Tigre”, recentemente exposto pelo programa Fantástico, da TV Globo, está sendo tratado como um esquema de apostas potencialmente criminoso. A plataforma, operando sob nomes como ‘Fortune Tiger’ ou ‘Jogo do Tigrinho’, funciona como um jogo de roleta onde as pessoas depositam dinheiro e fazem apostas.
A investigação revela que esses influenciadores, ao endossar a plataforma nas redes sociais, atuam como recrutadores para a operação ilegal. Notavelmente, até figuras conhecidas como Carlinhos Maia foram implicadas na promoção desse jogo de azar.
Prisões realizadas em novembro pela Polícia Civil do Paraná, envolvendo indivíduos como Eduardo Campelo, Gabriel e Ricardo, revelaram uma movimentação financeira estimada em cerca de R$ 12 milhões em seis meses. Apesar das prisões, o trio foi solto no mesmo dia.

Esquemas semelhantes foram descobertos em outras regiões, como Maranhão, levando à criação de uma lei que proíbe a promoção de plataformas de jogos de azar. Agora, a Polícia Civil de Marabá é instada a agir contra a promoção flagrante de plataformas fraudulentas por influenciadores locais. A reportagem do Portal Debate tomou conhecimento das investigações por meio de fonte segura na corporação, que afirma que buscas e apreensões nas residências dos influencers envolvidos no esquema estão no radar para os próximos dias.
Influenciadoras como Roselaine Andrade, Gabriela Fidelis e Raiza Nascimento têm endossado ativamente essas plataformas, organizando eventos para atrair participantes. Os questionáveis ganhos financeiros e estilos de vida extravagantes exibidos em seus perfis de redes sociais são razões para as investigações, que podem apontar formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A influencer Roselaine Andrade, por exemplo, promoveu uma festa há alguns meses em Marabá, restrita a convidados, para divulgar uma nova plataforma de jogo de azar. Ela, que se autodenomina “Rainha da Banca Baixa”, diz em sua bio no Instagram já ter faturado mais de R$ 1 milhão com as plataformas. Em seu perfil, exibe uma vida de luxo, viagens e compras, inclusive de um veículo Jeep Compass em outubro. Antes do esquema criminoso, em abril, Roselaine andava com um Renault Sandero e levava uma vida modesta, trabalhando com divulgações de lojas.

Da mesma forma, a influencer Raiza Nascimento, que é garota propaganda de empresas locais, é apontada como uma das divulgadoras das plataformas fraudulentas. Não é a primeira polêmica que a moça se envolve. Em 2021, Raiza afirmou que não gostava de ‘pobre’ e que ser pobre era uma ‘desgraça’. Além disso, afirmou que mulheres ‘gordinhas’ deveriam ficar com homens ‘pobres’. Ela também chegou a declarar que gastar R$ 300 em uma festa não é nada e não paga nem ao menos o Whisky que ela consome. Ela chegou a ser afastada de um programa em que participava na TV em razão das declarações polêmicas. Agora se torna alvo de investigação por se envolver no esquema do Jogo do Tigre.
Neste fim de semana, a influenciadora Gabriela Fidelis, que conta com 131 mil seguidores no Instagram, promoveu uma festa para divulgar plataforma de jogo. O evento reuniu outros influenciadores digitais que também aliciam pessoas para o esquema, entre outros convidados.

A situação tem provocado discussões na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) sobre a possibilidade de introduzir uma lei semelhante à do Maranhão para proibir a promoção, por parte dos influencers, de atividades de jogo dentro do estado. Em nível nacional, um projeto de lei apresentado pelo deputado federal Ricardo Ayres busca restringir a promoção de influencers em atividades de apostas.
Na justificativa do projeto, o deputado escreve: “A publicidade de jogos de azar e casas de apostas vêm se tornando cada vez mais comum nos perfis de produtores de conteúdo, levantando discussões acaloradas sobre o tema e sobre a responsabilidade desses influenciadores para com o seu público – especialmente quando se trata daqueles que conversam com jovens.

O rápido crescimento das redes sociais e a influência exercida por digital influencers e artistas sobre seus seguidores são fenômenos que requerem regulamentação adequada.
A promoção de empresas de apostas pode ter impactos negativos na saúde mental e financeira dos cidadãos. Este projeto de lei visa proteger os cidadãos, especialmente os mais jovens, proibindo a divulgação irresponsável de empresas de apostas por parte de digital influencers e artistas”, finaliza o texto do PL em tramitação no Congresso Nacional. (Portal Debate)
Matéria atualizada às 10h de 5 de dezembro de 2023


