Polícia investiga morte de bebê após vacinação em Marabá

Pais de Maria Laura conversaram com o Portal Debate e relataram os últimos momentos de vida da bebê, que foi atendida no Hospital Materno Infantil
Pais da pequena Maria Laura durante conversa com equipe de imprensa | Foto: Lúcio Marinho/TV Kairós

A morte de uma bebê de quatro meses ganhou ampla repercussão na mídia em Marabá nos últimos dias. A pequena Maria Laura morreu no último domingo (27), a caminho do Hospital Materno Infantil (HMI). Na sexta-feira (25), a criança teria recebido a aplicação de quatro doses de vacinas diferentes, todas previstas no calendário de imunização para o público.

A cirurgiã dentista Gracielly da Mata Lima, mãe da bebê, conversou com a equipe de reportagem do Portal Debate. Ainda muito abalada com a morte precoce da filha, ela relata que a bebê estava saudável antes de tomar as vacinas de rotina em uma unidade básica de saúde do município.

A pequena Maria Laura amanheceu bem e até brincou com o pai no dia da morte | Foto: Lúcio Marinho/TV Kairós

– Ela [a bebê] não tinha sintomas de doenças, como resfriado, gripe ou qualquer outra coisa que pudesse acometer a saúde dela. Desde que entramos na sala de vacina, começaram a acontecer coisas muito estranhas, só que a gente pensava que era algo normal, porque a gente espera o trabalho de profissionais capacitados para aplicar essas vacinas em bebês. Após a saída da sala de vacina, a Maria Laura começou a apresentar reações que já eram esperadas, com a bebê ficando mais molinha e febre, de acordo com o Ministério da Saúde – esclarece Gracielly.

Ao perceberem as reações adversas, os pais de Maria Laura resolveram levar a bebê para um hospital, mas como ainda não conhecem bem a cidade (eles vieram de Araguaína, no Tocantins, a trabalho), tiveram dificuldade. Uma guarnição da Polícia Militar orientou os pais a levarem a pequena para o Hospital Materno Infantil, indicando a localização da unidade de saúde. Só que já era tarde demais, segundo a equipe médica responsável por realizar manobras de reanimação em Maria Laura. A bebê teria chegado ao HMI já sem vida.

Gracielly lamenta morte da filha de quatro meses em Marabá | Foto: Lúcio Marinho/TV Kairós

– No sábado [um dia após a vacinação], a Maria Laura já acordou bem melhor, só que com a perna direita encolhida. Dava a entender que ela estava sentindo dor. E o local onde as vacinas foram aplicadas ficou roxo. No domingo, acordou novamente bem, normal e sorridente. A gente saiu, tomou café. Na volta, ela brincou com o pai, assistiu televisão. Dei banho na Maria Laura, senti que ela estava com febre, mas quando fui medir a temperatura, percebi que não era febre. Ela dormiu e, ao acordar, eu percebi que a respiração dela estava estranha. Foi muito rápido, questão de meia hora para tudo acontecer. Foi o tempo de trocar de roupa e procurar um hospital para levar a bebê – narra a mãe.

Ainda segundo Gracielly, os pais foram orientados pela equipe médica do HMI a registrar um boletim de ocorrência sobre o fato.

– Antes de chegar ao HMI, a Maria Laura já tinha fechado os olhinhos, mas achávamos que ela só estava dormindo, porque ela estava muito sonolenta. Eu comecei a gritar, chamar o nome dela, sacudir e sacudir. Os profissionais do HMI fizeram o que era possível para salvar a vida da minha filha, mas infelizmente ela faleceu. Vimos que a correria foi muito grande no hospital, mas alguns minutos depois, a pediatra falou que ela não resistiu e que já tinha dado entrada em parada cardiorrespiratória. Eles nos orientaram sobre os próximos passos do caso – conta Gracielly.

Advogados estão atuando no caso e aconselhando a família, neste momento | Foto: Lúcio Marinho/TV Kairós

Os pais de Maria Laura acionaram o escritório do advogado Dionísio Valente para atuar no caso, que é bastante delicado por envolver uma questão de saúde. Segundo o advogado, a Polícia Civil abriu um inquérito, que está sendo presidido pelo delegado Élcio Fidélis de Deus (diretor da 21ª Seccional Urbana de Marabá) para apurar a morte da bebê.

– A família nos procurou para a gente, de imediato, registrar um boletim de ocorrência. porque no dia do fato, o falecimento da bebê, o delegado não o fez. O inquérito policial já foi aberto, a mãe já deu o seu depoimento e agora estamos esperando os desdobramentos da investigação da Polícia Civil, que vai apontar as hipóteses do falecimento da Maria Laura – afirma Dionísio Valente.

Ainda de acordo com o advogado, a equipe jurídica está aconselhando a família neste momento e acompanhando o caso diariamente, junto a instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Seccional Marabá e o Conselho Municipal de Saúde.

– Estamos fazendo a parte de aconselhamento jurídico e acompanhando o caso diariamente, com todas as suas repercussões na imprensa. Estamos também articulando os órgãos responsáveis por situações dessa natureza, de modo a unir forças para dar uma resposta para a sociedade, sobre o que de fato acont3eceu no dia 27 de fevereiro, um domingo, com a pequena Maria Laura. Queremos dar essa resposta à família, que está angustiada, e à sociedade, tendo em vista a repercussão a nível nacional. Todo o Brasil está querendo essa resposta. Nós, como advogados, estamos trabalhando arduamente e vamos usar todos os institutos jurídicos para alcançar esse resultado – abona o advogado.

A pequena Maria Laura | Foto: Arquivo Pessoal

Questionado se o motivo da morte da bebê foram as vacinas aplicadas, o advogado Joelson Farinha, que também está atuando no caso, explica que existe uma investigação policial em curso e que ainda aguarda o laudo do exame de necropsia, a ser expedido pela Polícia Científica do Pará.

– Eles [profissionais do HMI] fizeram todos os procedimentos cabíveis no hospital, mas infelizmente não conseguiram reanimar a Maria Laura. O inquérito policial está sendo presidido pelo delegado Élcio, que deve apontar as reais causas da morte da bebê. Nós estamos ainda aguardando o laudo da necropsia, que deve sair em até 30 dias. Mas o que podemos garantir para a sociedade marabaense e brasileira é que não vamos descansar até que a gente consiga esclarecer o que aconteceu com a Maria Laura. E, se realmente foram as vacinas, nós vamos buscar responsabilizar as pessoas que tenham culpa no caso – garante Joelson Farinha.

O Hospital Materno Infantil de Marabá | Foto: Divulgação

Nota da prefeitura

Por meio de nota, encaminhada à imprensa, a Prefeitura de Marabá informa que “o bebê, falecido no dia 27 de fevereiro, deu entrada no Hospital Materno Infantil (HMI) sem sinais vitais. Toda equipe de pediatras e médicos da emergência atuou no caso, realizando todas as manobras para reanimação, incluindo medicamentos e intubação. A própria equipe responsável pelo caso orientou a família que fizesse um boletim de ocorrência e a necropsia da criança para saber exatamente as causas da morte. A mãe do bebê relatou aos pediatras do hospital que na primeira dose da vacina do calendário normal de vacinação de recém-nascidos, a criança havia apresentado reações adversas e que nesta segunda dose as reações aumentaram de proporção. Toda equipe, que fez o procedimento de tentativa de reanimação, está consternada com o fato. O Hospital Materno Infantil aguarda o laudo oficial para poder fazer qualquer pronunciamento posterior”.

Saiba mais

O HMI funciona há 14 anos e integra a rede pública municipal de saúde. A unidade é referência materno-infantil de média complexidade para a região sudeste do Pará e tem média mensal de 500 partos, além de procedimentos cirúrgicos e clínicos. (Vinícius Soares, para o Portal Debate e TV Kairós)

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