BELÉM (PA) – A Polícia Federal realizou, na manhã desta quarta-feira (1º), uma operação na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), onde cumpriu um mandado de busca e apreensão no gabinete do deputado estadual Francisco Torres de Paula Filho, o Torrinho Torres (Republicanos). A ação integra a Operação Coronéis do Xingu, que apura um suposto esquema de desvio de recursos federais destinados à educação.
Segundo a Polícia Federal, o mandado foi executado apenas no gabinete do parlamentar. Em razão do sigilo das investigações, a corporação informou que não divulgará mais detalhes sobre a diligência neste momento. A Alepa confirmou que a ação ocorreu em suas dependências.
A Operação Coronéis do Xingu cumpre 25 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal nas cidades de São Félix do Xingu e Belém, no Pará, além de Natal, no Rio Grande do Norte. As investigações envolvem contratos públicos firmados entre 2014 e 2024, cujo valor total chega a aproximadamente R$ 50 milhões.
As apurações apontam indícios de direcionamento de licitações, contratação de empresas sem capacidade para executar os serviços e desvio de verbas destinadas à construção, reforma e ampliação de unidades escolares. Conforme a investigação, parte das obras teria sido entregue apenas parcialmente ou sequer concluída.
A Polícia Federal também investiga a possível prática de lavagem de dinheiro para ocultar os recursos desviados e apura a existência de ligações entre os investigados e atividades de garimpo ilegal de ouro na região do Xingu.
Natural de Ipanguaçu, no Rio Grande do Norte, Torrinho Torres consolidou sua carreira política no sul do Pará e ocupa uma cadeira na Alepa desde a saída de Igor Normando para assumir a Prefeitura de Belém.
Entre os principais investigados está João Cléber de Sousa Torres, ex-prefeito de São Félix do Xingu e irmão do deputado estadual. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de cerca de R$ 3 milhões em bens dos investigados para assegurar um possível ressarcimento aos cofres públicos.
Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de fraude em licitações e contratos administrativos, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações seguem em andamento para identificar a participação de cada envolvido e a dimensão do suposto esquema. (As informações são do Estado do Pará On-line)


