Pesquisa revela que 24,4% dos alunos sofrem bullying recorrente no Pará

Levantamento do IBGE mostra que quase um quarto dos estudantes paraenses sofre bullying com frequência e que meninas são as principais vítimas, apesar de indicadores positivos de convivência escolar.

Quase um em cada quatro estudantes de 13 a 17 anos no Pará sofre bullyingde forma recorrente. É o que revela a Pesquisa Nacional de Saúde do Escola (PeNSE 2024), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esta semana. No estado, 24,4% dos adolescentes relataram ter sido vítimas duas vezes ou mais, enquanto 10,5% afirmaram ter sofrido cyberbullying. Os dados mostram que, embora a maioria relate boa convivência na escola, a violência entre colegas ainda afeta uma parcela significativa dos estudantes.

A pesquisa também mostra que 55,9% dos estudantes disseram ser bem tratados pelos colegas no Pará, índice inferior ao registrado no Brasil, que chegou a 61,8%. Ainda assim, o resultado indica um ambiente escolar predominantemente positivo. As meninas relatam relações mais favoráveis, com 63,2%, enquanto entre os meninos o percentual é de 55,3%. A diferença também aparece entre redes de ensino. Na rede privada, 75,3% dos estudantes afirmaram ter boa convivência, contra 57,4% na rede pública.

Mesmo com esse cenário, a exclusão social continua sendo uma realidade para parte dos adolescentes. No Pará, 16,9% dos estudantes afirmaram ter passado por situações recorrentes em que colegas deixaram de falar com eles ou incentivaram outros a fazer o mesmo. O percentual é semelhante ao nacional e revela que o problema permanece presente nas escolas. As meninas aparecem novamente como as mais vulneráveis. No estado, 22,8% delas relataram exclusão frequente, enquanto entre os meninos o índice é de 10,7%. A exclusão ocorre com maior frequência entre estudantes da rede pública.

Agressões físicas e bullying

Em relação às agressões físicas, a maioria dos adolescentes declarou não ter se envolvido em episódios de violência. No Pará, 84,5% afirmaram não ter sido agredidos por colegas e 85,5% disseram não ter agredido outros estudantes. No entanto, os dados indicam diferenças de comportamento entre meninos e meninas. As meninas relatam, em maior proporção, terem sido vítimas de agressões físicas, enquanto os meninos apresentam percentuais mais elevados quando se trata da prática da agressão.

A pesquisa também investigou quem pratica bullying. No Pará, 13,6% dos estudantes admitiram ter cometido esse tipo de comportamento nos 30 dias anteriores ao levantamento. Os meninos registram frequência ligeiramente maior, mas chama atenção o percentual de meninas que declararam praticar bullying, que chegou a 13,1%, um dos mais altos do país. Esse dado coloca o estado entre os que apresentam maior participação feminina nesse tipo de violência.

Outro ponto importante revelado pela PeNSE 2024 diz respeito aos motivos das agressões. A aparência física aparece como principal fator associado ao bullying, especialmente características do rosto ou do cabelo, seguida pela aparência do corpo. A cor ou raça e o uso de roupas e objetos escolares também foram citados como causas relevantes. Uma parcela expressiva dos estudantes afirmou não saber o motivo das agressões, o que indica comportamentos impulsivos ou naturalizados dentro do ambiente escolar.

Cyberbullying e ambiente digital

O levantamento também destaca o avanço do cyberbullying, que ocorre por meio de redes sociais e aplicativos. No Pará, 10,5% dos estudantes relataram ter sido vítimas desse tipo de violência. As meninas são novamente as mais afetadas, com índice de 18,1%, superior ao dos meninos. A ocorrência é mais frequente entre estudantes da rede pública, o que reforça a necessidade de atenção ao ambiente digital.

Os resultados da PeNSE 2024 indicam que o ambiente escolar no Pará apresenta avanços na convivência entre estudantes, mas ainda enfrenta desafios importantes relacionados à exclusão, violência e bullying. Produzida pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio do Ministério da Educação (MEC), a pesquisa oferece informações essenciais para orientar políticas públicas e ações voltadas à construção de escolas mais seguras e inclusivas.

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