Gás de pimenta, chutes, socos e porradas marcaram o fim do primeiro ano melancólico do governo Helder Barbalho. Justamente o candidato que foi eleito com o apoio ‘maciço’ dos servidores públicos, agora sentindo-se traídos, pois ele é o único governador do Brasil a fazer a reforma da Previdência sem realizar audiências públicas. Como diz o jargão popular, ‘o pau comeu’ ontem (17) em frente à Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).
“É uma patacoada atrás da outra”. Na semana passada, foi a vez da Polícia Federal fazer buscas na sede do governo devido a uma suspeita de crimes ligados ao vice-governador Lúcio Vale, acusado de participar de esquema de fraudes em licitação, conforme noticiou a imprensa nacional. O governo publicou uma nota protocolar, ‘para inglês ver’, se referindo ao assunto. Quem conhece Helder, sabe que Lúcio Vale está com os “dias contados” no governo.
Aliados políticos, insatisfeitos, rotulam Helder Barbalho de realizar um ‘governo familiar’, pois todas as ações políticas ou administrativas têm que passar pelo crivo do ‘clã Barbalho’, indo de Jader Barbalho a Jader Filho; este último é tido como o ‘manda chuva do governo’. Tudo tem que passar por ele, pois como reza o ditado popular, “onde tem farinha pouca, meu pirão primeiro”.
No governo Jatene, a educação era péssima, porém Helder Barbalho e sua secretária, Leila Freire, conseguiram piorar o que já era considerado ridículo. Falta tudo nas escolas públicas do Pará. Centenas estão caindo aos pedações por falta de manutenção. Além disso, Helder copiou o mesmo modus operandi de Simão Jatene: não paga o piso salarial dos professores “nem que a vaca tussa”. Já existe uma greve na área da educação desde a semana passada.
No dia 29 de julho, mais de 60 presos foram massacrados no Centro de Recuperação Regional de Altamira, sudoeste do Pará. Existe, sim, uma diminuição nos índices de criminalidade, mas por puro comprometimento das polícias, pois faltam investimentos e serviço de inteligência na segurança pública. Até agora, poucas unidades prisionais, como a de Parauapebas, Vitória do Xingu e Abaetetuba foram inauguradas, porém foram iniciadas no governo Simão Jatene.
Quando se fala em aumento do número de queimadas, adivinha qual estado lidera a macabra estatística em nível nacional? O Pará! Claro. Esses dados estão na plataforma do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nova patacoada cometida por Helder Barbalho foi a substituição do delegado José Humberto Melo Júnior, responsável pela operação “Fogo do Sairé”, onde quatro brigadistas foram presos suspeitos de atear fogo na vegetação, deixando o Sindicato dos Delegados de Polícia do Pará (Sindelp), ‘fulo’ da vida.
Em janeiro, Helder exonerou cerca de 2,5 mil servidores que ocupavam cargos comissionados em órgãos públicos estaduais e fez o maior estardalhaço, alegando uma suposta economia de mais de R$ 3 milhões aos cofres do estado, entretanto, readmitiu parte desses servidores porque alguns desempenhavam funções essenciais. Fato que demonstrou a falta de conhecimento da máquina pública pelo atual governador do Pará.
Eu poderia ficar a noite toda escrevendo sobre as patacoadas de Helder Barbalho durante seu primeiro ano de governo, todavia, pouparei o leitor de tantas trapalhadas cometidas por um governador inexperiente, sem ‘força política’ e que trata mal os servidores públicos e correligionários. Na cidade de Marabá, por exemplo, Helder é acusado de “jogar para a torcida” a pavimentação da Estrada do Rio Preto.
“Quem não sabe assar, queima”. Como dizia o Velho Chacrinha, “Quem não se comunica, se trumbica”. Circula nos bastidores da política que o tucanato anda dispensando o apoio de Helder Barbalho, ‘de olho’ nas eleições municipais de 2020, pois como o governo vem ‘andando’, as ‘raposas da política já começaram a dar como certo o retorno de Simão Jatene ao comando do governo do Pará. Helder Barbalho estaria ‘trilhando’ o mesmo caminho do ostracismo de Ana Júlia Carepa por incapacidade de lidar com as lideranças políticas que o apoiaram. “Abra o olho, governador, pois a sua ‘batata’ pode estar assando!”
Pedro Souza


