Pará registra quase 300 casos de câncer de pele em mais de 6 meses

Nos últimos sete meses, de janeiro a 15 de julho deste ano, foram tratados 259 casos de câncer de pele na rede pública estadual do Pará

No final de 2023, estima-se que o Pará terá registrado cerca de 2.440 casos de câncer de pele, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Essa estimativa tem como base a população total do estado. Nos últimos sete meses, de janeiro a 15 de julho deste ano, foram tratados 259 casos de câncer de pele na rede pública estadual do Pará. Em 2022, o número de casos registrados foi de 623, conforme dados da Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa).

Especialistas reforçam a importância da prevenção, destacando que é fundamental tomar cuidado com a exposição ao sol, principalmente durante o período de férias de julho, quando os balneários paraenses recebem um grande número de veranistas que passam horas sob os raios solares.

Segundo o oncologista Luis Eduardo Werneck, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, a cada 100 pacientes com câncer de pele do tipo melanoma, considerado o mais agressivo, 15 são curados e 85 acabam morrendo. Ele destaca que existem três tipos de câncer de pele: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma. Cada um se manifesta de maneira diferente, com diferentes graus de periculosidade.

O câncer de pele normalmente não apresenta sintomas perceptíveis, mas as pessoas podem notar uma ferida, mancha ou pinta que não coça nem arde. Essa lesão também pode mudar de cor, começando mais clara e escurecendo ao longo do tempo, além de apresentar bordas irregulares. Caso a lesão não cicatrize em um período superior a 15 dias, é importante procurar um dermatologista.

Como evitar o câncer?

O câncer de pele é mais comum no Brasil do que todos os outros tipos de câncer juntos, ressalta o médico. Por isso, é fundamental tomar precauções em relação à exposição ao sol, especialmente durante o verão e as férias.

Medidas de proteção, como utilizar roupas com tecidos tecnológicos que protegem contra os raios UV, usar boné para proteger o rosto e aplicar protetor solar em abundância, são recomendadas pelos especialistas não apenas para prevenir o câncer de pele, mas também para evitar o envelhecimento da pele.

A falta de diagnóstico e tratamento adequados podem resultar em sérias consequências, incluindo o risco de óbito. Werneck destaca que muitas pessoas não compreendem a gravidade desse tipo de câncer e negligenciam os cuidados necessários. Além do risco de vida, a qualidade de vida também pode ser afetada, assim como a perda da função do membro afetado pelo câncer.

Como é o tratamento?

No Pará, o tratamento do câncer de pele mais comum, o não-melanoma, é iniciado na Atenção Básica de Saúde, que é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir daí, o paciente é encaminhado para consulta com um especialista para confirmação do diagnóstico e início do tratamento.

Ana Karla de Andrade Costa, engenheira agrônoma de 46 anos, está em tratamento contra o câncer de pele há cerca de três anos e meio. Ela relata que seu pai faleceu em decorrência dessa doença e, devido à hereditariedade, ela e seus irmãos possuem chances de desenvolver o tumor. Por isso, Ana Karla sempre esteve atenta aos sinais em seu corpo e, em um dia, durante o banho, notou algo diferente em sua pele.

Ela explica que, mesmo após o fim do tratamento, continuará tomando precauções, como evitar a exposição ao sol, especialmente em praias e piscinas durante o verão. Ana Karla destaca a importância do diagnóstico precoce e alerta seus amigos e pessoas próximas sobre sua experiência com a doença.

Existem três tipos de câncer de pele: carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma. O tratamento inicial consiste na retirada cirúrgica da lesão e do tecido ao redor. Em casos mais graves, a quimioterapia ou radioterapia podem ser utilizadas. O tamanho da lesão no momento do diagnóstico é um fator importante para determinar o tratamento e o prognóstico.

A prevenção é crucial para evitar o câncer de pele. É recomendado evitar a exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, usar proteção adequada como bonés, chapéus de abas largas, óculos escuros, barracas e filtro solar com fator mínimo de proteção 30, reaplicando-o a cada duas horas durante a exposição solar. Para quem trabalha ao ar livre, é aconselhável utilizar roupas com manga longa, calças compridas, óculos escuros e procurar locais com sombra, sempre que possível evitando as horas mais quentes do dia.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para um prognóstico mais favorável no caso do câncer de pele. (Mateus Nino, com informações de A voz do Xingu)

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