Entre os quase 9,6 mil jovens contratados como aprendizes no Pará neste ano, histórias como a de Luan Batista, de 18 anos, revelam o impacto que essa oportunidade tem na vida de quem busca o primeiro emprego. Cursando o segundo ano do ensino médio, ele concilia trabalho e estudo em uma rotina de quatro horas diárias de labuta. “Resolvi tentar pela necessidade que a gente tinha lá em casa. Minha mãe não trabalha, então eu quis ajudar. E o que mais me chamou atenção foi a carga horária, porque dá pra estudar e trabalhar sem atrapalhar nenhum dos dois”, conta. Com o salário, Luan ajuda nas despesas e ainda guarda uma parte para investir no futuro. O sonho é cursar Farmácia na UFPA. “Quero ter uma profissão e dar um futuro melhor pra minha mãe e pra minha família”, diz.
Os 9,6 mil jovens foram contratados entre janeiro e agosto deste ano, segundo levantamento do Observatório do Trabalho do Estado, parceria entre o Dieese e o Governo do Pará, por meio da Seaster (Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda). O número representa quase 40% de todas as admissões registradas na Região Norte, consolidando o Pará como líder regional na contratação formal de aprendizes. De acordo com o estudo, o total indica crescimento de 2% em relação ao mesmo período de 2024, quando 9.416 jovens ingressaram no mercado formal. Entre os contratados, 50,2% são homens (4.998) e 47,8% mulheres (4.592).
O setor de serviços foi o principal empregador, responsável por 39,6% das admissões (3.795 jovens). Em seguida aparecem o comércio (28,7%), a indústria (18,3%), a construção civil (10%) e a agropecuária (3,5%). Somados, os três primeiros setores respondem por quase 87% das contrataçõesformais no estado.
Belém concentrou a maior parte das admissões, com 3.957 aprendizes, o que equivale a 41% do total estadual. Depois vêm Ananindeua (939), Parauapebas (741), Marabá (584) e Castanhal (538), completando as cinco cidades com mais oportunidades. Na Região Norte, o Pará aparece à frente de estados como Amazonas (6.807 aprendizes) e Rondônia (3.170). Ao todo, foram 24,5 mil contratações na região entre janeiro e agosto, sendo o Pará responsável por 39,1% delas.
Em âmbito nacional, quase 484 mil jovens foram contratados como aprendizes no mesmo período. O Pará ocupa a 11ª posição entre os estados brasileiros, à frente de unidades como Espírito Santo e Distrito Federal. O maior volume está em São Paulo, com 140,6 mil admissões.
Acompanhamento e Desempenho dos Aprendizes
A encarregada Débora Silva, que há 22 anos trabalha em um supermercado no bairro da Cremação, em Belém, acompanha de perto o desempenho dos aprendizes. Para ela, o papel de quem orienta vai além das tarefas diárias. “Eles são muito novinhos ainda, então precisam de instrução. A gente ensina como atender o cliente, como agir, como se organizar. O importante é que aprendam o valor da responsabilidade e do trabalho”, explica.
Débora se emociona ao lembrar de uma ex-aprendiz que hoje é dona de uma clínica. “Ela começou aqui, trabalhou direitinho, terminou a faculdade e seguiu o caminho dela. Quando você quer, você vai lá e consegue. É força de vontade”, afirma.
Experiências e Perspectivas
Outra jovem que encontrou na aprendizagem uma forma de crescer é Suzane Duarte, também de 18 anos. Estudante de Contabilidade na UFPA, ela vê o trabalho como uma extensão da sala de aula. “Depois que a gente começa a trabalhar, entende de verdade como o mercado funciona. No comércio tudo muda rápido — é o Círio, depois o Natal — e a gente precisa acompanhar. Isso me ensinou a ser pontual, organizada e a entender melhor o que aprendo na faculdade”, conta.


