Pará continua sendo estado que mais devasta floresta, aponta Imazon

Estado é responsável por 30% de toda a área devastada na região nos nove meses de 2023. Pesquisadores apontam avanço do desmatamento na metade norte do estado, além da fragilidade nas áreas de conservação e assentamentos

A Amazônia registra o sexto mês consecutivo de redução de desmatamento. O Pará se manteve como o estado da região que mais desmatou, sendo responsável por quase 30% da floresta derrubada nos últimos nove meses. O estado no entanto teve a segunda maior redução no desmate.

Os dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados nesta sexta-feira (20), apontam que o acumulado dos primeiros nove meses de 2023 fechou com área de floresta derrubada quase três vezes menor do que no mesmo período do ano anterior.

Em 2022, foram 9.069 km² de destruição. Já este ano foram 3.516 km². O Imazon indica que esta foi a menor destruição entre janeiro e setembro dos últimos cinco anos, desde 2018.

As florestas devastadas nos três primeiros trimestres de 2023 chegaram a quase 1.300 campos de futebol por dia, estando acima do registrado em alguns anos anteriores a 2017.

Segundo o Imazon, há 10 anos, em 2013, o acumulado de janeiro a setembro foi de 1.008 km², mais de três vezes menor do que o registrado neste ano – o que equivale a 370 campos de futebol por dia de derrubadas.

O pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr afirma que “a série histórica do desmatamento mostra que a queda é expressiva, mas que ainda precisa ser maior para conseguirmos controlar a perda de floresta na Amazônia”.

“Estamos vendo o quanto a seca está afetando as populações do Amazonas agora e o quão importante é manter o ambiente e o clima equilibrados”.

Apenas no último mês de setembro, a Amazônia perdeu 546 km² de floresta, obtendo redução de 52% em relação ao mesmo mês de 2022, quando o desmatamento somou 1.126 km².

No entanto, 2023 registrou o 5º maior desmatamento em setembro dos últimos 15 anos, desde 2008.

Pará lidera desmatamento

O Pará é o estado que mais devastou na Amazônia nos nove meses de 2023. Foram 1.000 km², representando 29% de toda a área devastada na região, apesar de ter tido a segunda maior redução no desmate, conforme o Imazon aponta.

Nos primeiros três trimestres de 2022, foram destruídos 3.161 km², 68% a menos do que neste ano.

  • 7 dos dez municípios mais críticos para o desmatamento;
  • 8 das dez assentamentos desmatados; o topo do ranking é um assentamento no Pará;
  • a unidade de conservação mais desmatada é no Pará: TI Apyterewa (PA)

O maior desmatamento registrado no Pará foi em setembro – 257 km² – principalmente na metade norte do estado. Municípios da região do Baixo Amazonas, como Almeirim e Prainha, apareceram pela primeira vez no ano no ranking dos 10 que mais destruíram a floresta amazônica.

Larissa Amorim, pesquisadora do Imazon, explica que “o paraense já é uma área de desmatamento consolidado, então estamos vendo a destruição subir em direção às florestas mais ao norte”.

Outro problema que persiste no Pará é o avanço da derrubada dentro de áreas protegidas.

Em setembro, das 20 unidades de conservação e terras indígenas mais desmatadas da Amazônia, nove ficam no estado.

A destruição também tem avançado nos assentamentos paraenses, segundo os dados. Dos 10 mais devastados em setembro, oito ficam no Pará.

Veja alguns dados do estudo do Imazon:

Municípios críticos para o desmatamento na Amazônia:

Assentamentos com maiores índices de desmatamento:

  • PA Cidapar 1ª Parte (PA)
  • PA Corta Corda (PA)
  • PA Rio Juma (AM)
  • PDS Serra Azul (PA)
  • PDS Itatá (PA)
  • PDS Renascer II (PA)
  • PAE Antimary (AM)
  • PA Moju I e II (PA)
  • PDS Ademir Fredericce (PA)
  • PA Tuere (PA)

Unidades de conservação mais desmatadas

  • TI Apyterewa (PA)
  • TI Cachoeira Seca (PA)
  • TI Yanomami (AM/RR)
  • TI Waimiri Atroari (AM/RR)
  • TI Igarapé Lage (RO)
  • TI Trincheira/Bacajá (PA)
  • TI Karipuna (RO)
  • TI Sete de Setembro (RO/MT)
  • TI Andirá-Marau (AM/PA)
  • TI Waiápi (AP)

Proporção de desmatamento e degradação por estado (km²) em setembro de 2023:

  • Pará – 47%
  • Mato Grosso – 14%
  • Amazonas – 13%
  • Acre – 10%
  • Rondônia – 5%
  • Maranhão – 4%
  • Roraima – 4%
  • Amapá – 2%
  • Tocantins – 1%

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