Pará amplia vacinação contra HPV para jovens de 15 a 19 anos desde 2024

O Estado está à frente em relação à campanha de resgate vacinal do Ministério da Saúde, que terá início este ano

O Ministério da Saúde iniciará este ano uma campanha nacional para vacinar público de 15 a 19 anos contra o HPV, resgatando cerca de 7 milhões de jovens que ainda não foram imunizados. A campanha foca inicialmente em 121 municípios com as menores coberturas vacinais, abrangendo quase 3 milhões de adolescentes não vacinados.

O objetivo é vacinar pelo menos 90% dessa população, incluindo aqueles que não têm certeza se tomarão a vacina. No Pará, essa ação já está em andamento desde 2024. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), todos os 144 municípios do Pará estão recebendo a vacina para alcançar uma população não vacinada, com doses enviadas conforme o planejamento local. Atualmente, 533.439 pessoas foram vacinadas no Estado, mas mais de 290 mil ainda podem ser imunizadas ao longo de 2025.

O HPV é o vírus responsável por quase 100% dos casos de câncer do colo do útero, o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras. Ele também pode causar câncer no ânus, pênis, vagina e garganta. A vacina disponível atualmente no Sistema Único de Saúde protege contra os quatro subtipos que mais provocam câncer e também verrugas e feridas nos órgãos genitais.

A Sespa também informou que os municípios recebem mensalmente as doses da vacina para imunizar crianças e adolescentes. O Estado também promoveu ações de vacinação nas escolas estaduais e municipais para atingir 90% do público-alvo.

A vacina oferece proteção contra os subtipos do HPV que causam câncer de colo do útero, câncer anal, peniano, vaginal e verrugas genitais. Sua maior eficácia ocorre quando aplicada antes do início da vida sexual, já que o HPV é transmitido principalmente pelo contato sexual.

A vacina é eficaz para quais idades?

O infectologista Alessandre Guimarães explica que, embora o SUS ofereça a vacina contra o HPV para crianças de 9 a 14 anos, a Sociedade Brasileira de Imunização recomenda sua aplicação até os 45 anos, utilizando a versão HPV9, que protege contra novos tipos de vírus associados a cânceres urogenitais e verrugas genitais. Ele destaca que, embora existam mais de 200 sorotipos do HPV, nove são os mais implicados no câncer de colo de útero, câncer de pênis e verrugas genitais, tanto em homens quanto em mulheres.

Por isso, a vacinação deve ser feita o mais precocemente possível. O especialista também ressalta que, mesmo fora dessa faixa etária, a vacina pode ser administrada “off label”, ou seja, a classificações médicas, caso o profissional considere necessário.

“Mesmo para quem já iniciou a vida sexual, a vacina ainda traz benefícios, pois não se pode afirmar que uma pessoa já tenha sido exposta ao vírus”, destaca.

O médico também menciona que, desde julho de 2024, quem está no programa de prevenção ao HIV, com o uso da PrEP, pode receber a vacina como parte do programa do Ministério da Saúde.

Preservativo não é suficiente para proteger contra o HPV, diz especialista

O vírus HPV é altamente transmissível e não se limita ao ato sexual para sua propagação, alerta o infectologista. Ele explica que qualquer tipo de contato íntimo ou manipulação das regiões genitais pode transmitir o vírus.

“Mesmo com o uso de preservativo, não há uma forma totalmente eficaz de prevenir a infecção, já que o HPV pode ser transmitido através do contato com lesões genitais, que são ricas em vírus. Para prevenir a transmissão, é essencial evitar o contato com essas lesões e procurar tratamento adequado, como a remoção ou cauterização das verrugas genitais, seja por métodos químicos ou físicos”, conclui. (Com O Liberal)

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