Os longevos Edmilson Rodrigues, Benjamin, Darci e Tião Miranda no Pará

Políticos encerram seus mandatos, na noite desta terça-feira (31), em Belém, Itupiranga, Marabá e Parauapebas.
Benjamin Tasca, Darci Lermen, Tião Miranda e Edmilson Rodrigues - Foto: Reprodução

MARABÁ (PA) – O final do governo melancólico de Benjamin Tasca (MDB), de 74 anos, na cidade de Itupiranga, vem padecendo de um mal que atinge a maioria dos prefeitos longevos e com vários mandatos no Estado do Pará. Na Região de Carajás, a gestão desastrosa de Tasca terá seu final, no último minuto desta terça-feira (31), envolta em um mar de dívidas, desmandos, corrupção, sequestrada por vereadores e empresários, um final triste para quem já foi o “homem forte” por décadas na política de Itupiranga.

Na eleição do dia 6 de outubro de 2024, Benjamin Tasca foi derrotado nas urnas pelo seu ex-aliado, vereador Wagno Godoy (PP), embora contasse com o apoio da chamada “máquina administrativa” e a maioria dos vereadores. Os 11.585 votos de Godoy (44,13%) contra 10.231 votos de Tasca (38,97%) expressaram a vontade popular, ou seja, o povo de Itupiranga se cansou do velho gestor que sucumbiu diante de um novo modelo de gestão mais voltado para cuidar das pessoas.

Na cidade de Parauapebas, depois de 16 anos de mandato, o combalido prefeito Darci Lermen (MDB), de 59 anos, outrora uma “velha raposa” na arte da articulação política, chegou ao final de seu 4º mandato com uma rejeição, beirando os 80% da população da “Capital do Minério”. A cidade possui um rombo estimado em “ R$ 250 milhões, “deve a deus e o mundo” e está sem um centavo para quitar as dívidas. Darci chegou ao final de seu mandato com aspecto de um morto vivo e rejeitado pela classe política, para muitos ele se tornou um “zumbi político”.

Os 8 anos do governo Darci foram marcados pela corrupção, desvio de recursos públicos, compra de votos e loteamento das diversas secretarias da administração entre os vereadores aliados. De posse do orçamento público, cada parlamentar criou uma “prefeiturinha” dentro de sua pasta. Resultado, eles se apropriaram do erário público, com raras exceções, gastaram a grana a rodo para atender seus próprios interesses obscuros, deixaram a população a ver navios e a conta negativa ficou nas costas de Darci Lermen. Com o “rei na barriga”, Darci ainda ousou enfrentar Helder Barbalho (MDB) e não apoiou o nome do indicado do governador, Keniston Braga (MDB), para ocupar o Palácio dos Ventos. Saldo, “se lascou”.

Para não ter seu mandato cassado pelos vereadores, Darci vendeu a “alma para o diabo” e concedeu todos os tipos de benesses aos parlamentares às custas do sofrimento de servidores, fornecedores e da população carente. A prova desta manobra desastrosa está na escolha do vereador neófito, Rafael Ribeiro (União Brasil), para sucedê-lo à frente da Prefeitura de Parauapebas. O saldo foi uma surra no primeiro turno para o também vereador bolsonarista Aurélio Goiano (avante) que venceu o pleito com 92.073 votos (52,58%) contra 44.862 (28,51%) dos votos válidos. Para piorar a situação, os antigos aliados, conhecidos como “amigos da onça”, ainda reprovaram as contas de Darci Lermen e ele está fora das próximas eleições na “Capital do Minério”.

Já Edmilson Rodrigues (Psol), de 67 anos, finaliza seu mandato, em Belém, com a popularidade em baixa e a rejeição nas alturas, algo na casa dos 80% aos olhos da população. Pouco tempo depois de ser eleito, em 2020, Edmilson Rodrigues passou a ser execrado pelos belenenses devido a sua péssima gestão. A situação estava tão complicada que ele foi abandonado pelo “velho amigo” Helder Barbalho que apoiou a candidatura de Igor Normando (MDB), vitorioso nas eleições com 421.485 votos (56,36 %) contra 326.411 votos (43,64 %) de Éder Mauro (PL), empurrando Edmilson para a terceira colocação com míseros 9,78% dos votos válidos.

Durante a campanha eleitoral, em setembro de 2022, ao lado do então candidato à presidência Luís Inácio Lula da Silva (PT), Edmilson Rodrigues se indispôs com a arquidiocese de Belém. À época, ele afirmou que o Círio de Nazaré não era mais da Igreja Católica e sim “do povo”. Resultado, com a alcunha de “Ed Potoca”, o político psolista foi empurrado para a “lata de lixo da história”. Dificilmente, Edmilson renascerá em um novo mandato à frente da Prefeitura de Belém. A exemplo de Darci Lermen em Parauapebas, ele também deverá ter suas contas reprovadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) e pelos vereadores de Belém.

Na contramão desta triste sina dos prefeitos mais longevos do Pará, encontra-se o prefeito Sebastião Miranda (PSD), em Marabá, pois embora não tenha conseguido eleger seu sucessor, o candidato indicado por Helder Barbalho, “Chamonzinho” (MDB), Tião Miranda possui uma aceitação popular na casa de 80% de sua gestão ao final de um 4º mandato, algo muito raro. No dia 6 de outubro de 2024, Toni Cunha (PL) obteve uma vitória acachapante com 69.666 votos (51,08%) contra 46.412 votos (34,03 %) de “Chamonzinho”, mas os números estão longe de representar a popularidade de Miranda.

Dono de um perfil de “poucos amigos”, porém com uma capacidade enorme para gerenciar os recursos e equilibrar as contas públicas, o político goza da preferência da maioria da população de Marabá. Há quem não goste nem um pouquinho da maneira como Tião Miranda se movimenta nos bastidores da política, todavia ele pode ser considerado uma “ilha de austeridade” em um “mar de trapalhadas e corrupção” que envolveu a gestão de Benjamin Tasca, Edmilson Rodrigues e Darci Lermen, pois os três podem ter encerrado a trajetória política.

Na reta final de seu governo, enquanto a maioria dos prefeitos atrasaram ou lutaram para pagar o 13º salário, Sebastião Miranda fez isso com a maior naturalidade e inaugurou uma séria de obras em Marabá como o “Teatro Municipal Eduardo Abdelnor”, “Centro Cultural Marcelo Morhy”, “Centro Aquático Municipal”, “Estádio Asdrúbal Bentes”, “Praça do Maçom” e, a nova queridinha de Marabá, a ponte estaiada “Dona Ana Miranda” sobre o Rio Itacaiúnas, entre outras obras estruturantes na Terra de Francisco Coelho.

Nos últimos dias, Tião tem dito que entregará o bastão, na noite desta terça-feira (31/12), com a sensação do dever cumprido, de cabeça erguida para seu sucessor e vai viajar para tirar umas férias. Nos bastidores do mundo político, dizem que esse descanso anunciado por ele deverá durar pouco dias, pois Tião Miranda deverá ser candidato a deputado estadual e irá colocar o “pé na estrada” para divulgar suas ideias ao eleitores do estado do Pará. “O tempo dirá!!!”. (Pedro Souza)

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