DA REDAÇÃO — Não eram nem 7h da manhã desta quarta-feira (2) e informações sobre uma operação da Polícia Federal que ainda estava em curso em Marabá já sacudiam as redes sociais. Às 8h, a reportagem tomou conhecimento de que a ação da PF estava acontecendo em três endereços diferentes: na casa de um vereador na Marabá Pioneira, na casa de um ex-vereador no Núcleo Cidade Nova e em um gabinete na Câmara Municipal de Marabá (CMM). Antes das 9h, o Portal Debate largou na frente trazendo à tona: o objetivo da ação da PF era combater o crime de compra de votos mediante oferecimento do benefício ‘Sua Casa’ (antigo Cheque Moradia), do Governo do Estado.
No entanto, àquela altura dos acontecimentos, a reportagem ainda não podia afirmar com precisão quantos eram os alvos da operação da PF, bem como as identidades dos investigados pelo suposto crime de compra de votos. Mais tarde, às 11h, o vereador Ilker Moraes (MDB), candidato à reeleição, se manifestou em suas redes sociais com uma nota oficial e um vídeo informando que foi alvo de operação policial, que resultou na apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos de sua casa e gabinete parlamentar.
“Nesta quarta feira (2/10) foi cumprida ordem judicial para busca e apreensão de documentos, supostamente vinculados a denúncia sobre supostas irregularidades de atos do processo eleitoral. Nesse sentido, nos colocamos à disposição da justiça para colaborar com as investigações, contudo, respeitosamente, discordamos do procedimento adotado. Consciente da lisura e da responsabilidade com o processo eleitoral reafirmamos nosso compromisso com a sociedade e com a justiça”, escreveu o parlamentar.
Logo em seguida, a reportagem conseguiu confirmar que o segundo alvo da operação da PF foi o ex-vereador e candidato Ubirajara Sompré (MDB), que recebeu os agentes da Polícia Federal em sua residência no Bairro Belo Horizonte. No endereço, a polícia apreendeu documentos e dispositivos eletrônicos, que passarão a auxiliar nas investigações de corrupção eleitoral. Dias antes, um áudio do ex-vereador se queixando da demora na liberação do benefício habitacional para seus eleitores começou a circular nas redes sociais, ensejando denúncias ao Ministério Público Eleitoral e Polícia Federal.
A reportagem do Portal Debate tentou contato com o candidato Ubirajara Sompré durante esta quarta-feira (2), mas não houve retorno. O espaço do diário de notícias seguirá aberto caso o candidato deseje se manifestar sobre a operação da qual foi alvo, bem como sobre as suspeitas de corrupção eleitoral.
A operação foi batizada de “Voto em Xeque”, em alusão à concessão do benefício habitacional e, evidente, ao risco do comprometimento da vontade popular diante da tentativa de captação ilícita de sufrágios. Devido à proximidade do dia da eleição, ninguém foi preso na ação policial.
Os dois políticos, segundo a PF, são suspeitos de utilizar a máquina pública para oferecer os benefícios em troca de votos. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão, dois nas residências dos candidatos e um na Câmara Municipal de Marabá.
Segundo as investigações, o “Cheque Moradia”, como é comumente chamado, mas cuja nomenclatura foi alterada para “Sua Casa” a partir de 2019, concede até R$ 20 mil para famílias com renda de até três salários-mínimos. O benefício pode ser usado para reforma, construção ou aquisição de um imóvel.
Os documentos e mídias digitais apreendidos pela Polícia Federal serão analisados, e as investigações continuam sob a supervisão da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral. Existe a possibilidade de uma nova operação da PF na cidade até o dia da eleição, diante de novas denúncias que estão surgindo com a proximidade do pleito de 6 de outubro. A ver as cenas dos próximos capítulos. (Portal Debate)


