Operação resgata dois trabalhadores de situação de escravidão no sudeste do Pará

Trabalhadores atuavam no cultivo de milho, sem carteira assinada, direitos trabalhistas e em condições desumanas
Foto: Divulgação

Duas pessoas foram resgatadas de trabalho em condição semelhante à escravidão em uma fazenda de cultivo de milho em Ourilândia do Norte, município no sudeste do Pará.

A força-tarefa do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) foi entre os dias 26 de julho e 5 de agosto e reuniu vários órgãos federais.

Operação combate trabalho semelhante à escravidão no Pará. — Foto: Reprodução / MPT

Operação combate trabalho semelhante à escravidão no Pará. — Foto: Reprodução / MPT

Condições desumanas

Segundo o MPF, os trabalhadores atuavam na colheita e aplicação de agrotóxicos. Eles viviam em alojamento sem higiene, segurança e conforto.

A construção era inacabada, sem portas e janelas, permitindo a entrada de animais peçonhentos, como cobras, escorpiões, morcegos e ratos, além do risco de predadores.

Trabalhadores viviam sem higiene e em condições desumanas. — Foto: Reprodução / MPT

Trabalhadores viviam sem higiene e em condições desumanas. — Foto: Reprodução / MPT

O piso do alojamento era de terra batida, não havia móveis como armários para roupas, mesa, cadeiras ou estrutura para que pudessem armazenar ou preparar os alimentos de maneira adequada.

A equipe constatou que havia péssimas condições de higiene no local, que possuía banheiros e sanitários. Os funcionários tinham que fazer necessidades no mato, correndo risco de picadas de animais.

A área de banho era improvisada, próxima ao alojamento, feita com restos de madeira e placas de alumínio, sem cobertura e água encanada.

Trabalhadores viviam em condições desumanas. — Foto: Reprodução / MPT

Trabalhadores viviam em condições desumanas. — Foto: Reprodução / MPT

Sem carteira assinada

Ainda de acordo com o MPT, as vítimas foram contratadas informalmente e atuavam sem Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) anotada. Eles também realizaram exames médicos admissionais.

Os fiscais identificaram ainda a ausência de instalações sanitárias e abrigo para proteção contra intempéries nas frentes de trabalho; o não fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs) para as atividades de colheita e específicos para a aplicação de agrotóxicos, bem como materiais de primeiros socorros.

Providências

Após esclarecimentos sobre consequências de eventual ajuizamento de Ação Civil Pública pelo MPT e DPU, a empregadora firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) se comprometendo a regularizar a situação dos trabalhadores. Ela também prometeu fornecer condições de trabalho e moradia dignas, de acordo com os preceitos legais.

A empregadora fez o pagamento integral de verbas rescisórias, e se comprometeu a pagar a indenização por dano moral individual para cada um dos funcionários, segundo o MPT.

Sobre a Operação Resgate II

No mês de julho, quando a Operação Resgate II foi iniciada, uma mulher de 48 anos, que trabalhou por cerca de 26 anos como empregada doméstica para uma família em Belém, foi encontrada em situação análoga à escravidão, sem salário, férias ou qualquer benefício de Previdência Social.

A trabalhadora deverá receber R$167 mil a título de indenização e verbas rescisórias.

A empregadora assumiu, extrajudicialmente, por meio de TAC, o compromisso de pagamento do valor, assim como o cumprimento de obrigações para sanar as irregularidades apuradas durante a fiscalização.

Os casos registrados em Ourilândia do Norte e Belém fazem parte dos mais de 340 identificados no Brasil, apenas durante o mês de julho, durante a segunda fase da Operação Resgate.

A ação teve início no dia 4 de julho e seguiu até 5 de agosto, em 22 estados e no Distrito Federal, envolvendo Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Previdência, Defensoria Pública da União (DPU), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Em 2021, no mês de janeiro, a Operação Resgate efetuou 128 fiscalizações. Na oportunidade foram resgatados 136 trabalhadores, sendo três deles no Pará, em fazenda em São Félix do Xingu. (Com informações da PF)

Relacionados

Postagens Relacionadas

Nenhum encontrado

Cadastre-se e receba notificações de novas postagens!