MARABÁ (PA) – Na manhã desta quinta-feira (30), a Polícia Federal (PF) deflagrou a “Operação Stall”, visando a desbaratar um suposto grupo criminoso que estaria envolvido em atos de compra de voto, na eleição do dia 6 de outubro de 2024, na cidade de Tucuruí, no sudeste do Estado do Pará.
Para os incautos, a realização da “Operação Stall” preocuparia apenas os políticos enrolados com a corrupção eleitoral no antigo Distrito de Alcobaça que, durante o ano de 1943, viria a se desmembrar da cidade de Baião, localizada no Baixo Tocantins, dando origem a cidade de Tucuruí, mas não foi só isso que ocorreu, pois a “visita” dos agentes federais aos políticos de “lá” passou a preocupar e muito alguns políticos de “cá”, ou seja, de Marabá.
Segundo o que vem apurando a reportagem do Portal Debate, nos últimos meses, existem várias investigações da Polícia Federal em andamento sobre uma possível e gigantesca compra de votos nas últimas duas eleições realizadas em Marabá. Uma destas investigações estaria sob a responsabilidade do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, o “Gaeco”, conhecido como o braço armado do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), pois envolveria desvio de recursos públicos.
Segundo uma pesquisa realizada pelo “Instituto Não Aceito Corrupção” (INAC), em 2024, a corrupção eleitoral, caracterizada pela compra de votos, está no topo das condutas mais repudiadas pelos eleitores, no Brasil. O levantamento do INAC ouviu 2.026 eleitores, com idades entre 16 e 75 anos, de diferentes regiões, classes sociais e gêneros. Entre os entrevistados, 62% disseram que conhecem alguém que trocou o voto por dinheiro e 54% relataram ter sofrido pelo menos uma tentativa direta de corrupção eleitoral nos últimos 10 anos em uma eleição.
Nas últimas duas eleições ocorridas em Marabá, ficou claro que a pobreza, o oportunismo, a desinformação, a corrupção e a falta de “vergonha na cara” de candidatos e do eleitor alteraram o atual quadro de políticos eleitos, pois a compra de votos “rolou solta” em suas mais diversas formas, pois, há muito tempo, não se compra mais voto só com dinheiro. Esta prática nefasta de se pagar pelo sufrágio afasta o cidadão de bem da política e exaure qualquer tentativa de um candidato sem robustas condições financeiras de se eleger em Marabá.
A deflagração da “Operação Stall” em Tucuruí movimentou as redes sociais, em Marabá, onde milhares de internautas pediram uma “visitinha” dos agentes federais na casa dos conhecidos compradores de votos na Terra de Francisco Coelho. Parafraseando ditados populares: “quem não deve, não treme” e “a carapuça só cabe na cabeça de quem comprou voto”, logo se você anda em débito com a Lei Eleitoral, poupe meus ouvidos de suas lamúrias e toscas tentativas de intimidação a jornalistas, porque “não vai colar”. (Pedro Souza)


