Na velha escola Artur Guerra Guimarães, localizada
onde hoje fica a praça São Francisco, bairro Cidade nova, em Marabá-PA, 1979, quando
a professora estava se aproximando da sala de aula, tínhamos que recebê-la “de
pé” e em “posição de respeito”. Naquele momento, reinavam um silêncio e uma
admiração total.
Hoje em dia, esses profissionais mais importantes na
vida do ser humano passam por uma grave crise de falta de reconhecimento social,
são constantemente agredidos de todas as formas por alguns alunos e familiares
violentos, apesar da maioria exercer o seu “sacerdócio” de forma competente e
compromissada, a despeito de uma minoria que trabalha mal como existe em
qualquer profissão e em qualquer lugar.
Vítimas de uma família que perdeu os seus valores e
o respeito pelos educadores, em pesquisa realizada, em 2014, pela
Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), 12,5% dos professores brasileiros já foram
agredidos ou intimidados uma vez por semana, sem falar nos vários assassinatos
praticados por alunos contra professores e diretores de escolas públicas e
particulares. Esse percentual coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking de
violência contra os educadores no mundo.
Algo
terá que ser feito para a família reassumir a função de educar os seus filhos e
ensinar-lhes o respeito pelo professor, à escola cabe a tarefa de construção do
conhecimento. Educação e respeito se adquire em casa com a família. Ainda de
acordo com outra pesquisa da OCDE, realizada em 2013, os alunos brasileiros são
os mais indisciplinados em sala de aula no mundo.

 

Se as
leis atuais expõem os professores nessa “profissão perigo”, cabe ao Congresso
Nacional, através de uma nova legislação, a tarefa de colocar limites nesses
assassinos, bandidos e agressores, pois alunos eles não são. O aluno, na
essência da palavra, sempre respeita o mestre. O sistema educacional
brasileiro, por sua vez, precisa admitir que, às vezes, vai lidar com futuros
assassinos, monstros e psicopatas em potencial. A batalha está em campo, mas os
mestres estão em desvantagem. Chega de utopia, salvem os professores.