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O que há de novo em Bolsonaro e Lula

A nova roupagem política de Lula, Bolsonaro e o PT na campanha para presidente do Brasil
Crédito: Reprodução
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Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente do Brasil, em 2002, apoiado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), ao derrotar José Serra (PSDB). Como se dizia na época, “o PT elegeu Lula”. No entanto, o ex-metalúrgico teve o apoio de setores conservadores, pois escolheu o empresário José Alencar Gomes da Silva, como vice na chapa, ligado aos setores empresariais e conservadores do “establishment”.

O PT comandou o país de 2002 a 2016. Nesse período, viu crescer os movimentos sociais, a economia chegou a 6ª posição em 2011, combateu a pobreza e a desigualdade, melhorou os índices de combate à corrupção, investiu na acessibilidade dos mais pobres à educação, o Brasil se tornou um ambiente favorável aos negócios, houve melhorias no SUS, mas a corrupção foi adotada pela maioria dos caciques fundadores do Partido dos Trabalhadores e levou vários deles para a prisão, no chamado “mensalão”.

Com o advento da cassação da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, o PT chegou ao fundo do poço e foi execrado pela maioria dos eleitores. Desde essa época, o número de governadores e prefeitos despencou Brasil afora. A quantidade de parlamentares também caiu bastante. Para muitos, o Partido dos Trabalhadores é a própria encarnação da corrupção em Brasília, porém o partido, ao longo dos anos, tem resistido ao desgaste invocado pela  mídia corporativa e pelos opositores.

Sem os antigos caciques corruptos dando as cartas, o PT tem melhorado bastante a sua imagem diante da população. A chegada de vários jovens ao centro do comando partidário, a agremiação política se afastou das polêmicas, continuou a defender as minorias e movimentos sociais, apresenta-se ao eleitor, em 2022, como mais uma saída para se combater a polarização social do país, como protagonista de uma onda chamada “neopetismo”. Entretanto, nas eleições de 2002, o PT era maior que Lula, o partido hoje vive a reboque do ex-presidiário de Curitiba.

Hoje em dia, Luiz Inácio Lula da Silva  é odiado pelos bolsonaristas, muitos deles ex-lulistas, sofre um massacre da mídia patrocinada pelo governo Bolsonaro e enfrenta um bombardeio diário nas redes sociais, pago com dinheiro do contribuinte e pelos empresários. Grande parte da elite econômica, política e religiosa prefere ver o cão, a aturar Lula de volta à presidência. Luiz Inácio cometeu vários erros durante sua gestão e o seu entorno ficou recheado de gente corrupta que hoje vive nos porões de dezenas de presídios espalhados pelo Brasil.

Como diz o conhecido ditado popular, “de santo ele não tem nada”, mas a anulação de todos os processos que tramitavam contra ele na 13ª Vara de Curitiba, ajudada pela suspeição do ex-juiz Sérgio Moro, acusado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de agir de forma parcial, estão devolvendo ao velho petista, o carisma e aceitação popular que possuía, ao deixar a presidência da República. A velha raposa já até se casou novamente.

Mesmo depois de passar 580 dias na prisão e perder a esposa Marisa Letícia, Lula anda distribuindo “amores” entre políticos, empresários e líderes religiosos. A velha raposa conhece como ninguém os bastidores do mundo político brasileiro. Depois de tomar a 2ª dose da vacina, ele já se reuniu com centenas de figurões para formar uma frente ampla e vencer Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Atualmente, seus correligionários veem um “Lulinha paz e amor”, já outros classificam a imagem passada por ele como um movimento denominado “neolulismo”.

Depois de um ano de governo, Jair Bolsonaro já tinha arrumado confusão com a China, professores, negros, índios, homossexuais, Venezuela, povo argentino, França, Alemanha, ambientalistas, deputados, senadores, imprensa e ministros do STF. Os arroubos do capitão, expulso do Exército Brasileiro, eram impulsionados pelos radicais Abraham Weintraub, Olavo de Carvalho, “Sara Winter”, Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos, Daniel Silveira, Otoni de Paula, Carla Zambelli, entre outras figuras nefastas à sociedade, como os filhos Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro.

As brigas frequentes demonstraram, ao longo do tempo, a incapacidade de Bolsonaro de comandar o país e sua aceitação popular começou a cair. A popularidade do presidente derreteu com os erros graves cometidos  na gestão desastrosa da pandemia da covid-19, capitaneado por um tal de “tratamento precoce”, tirado dos cafundós da selva amazônica, utilizado no tratamento para malária. O “mito” passou a discursar somente para seus seguidores e usar as Forças Armadas para ameaçar os desafetos de um auto golpe militar. Falácias que só amedrontam os otários, porém estimula os seguidores do presidente nas redes sociais.

Nos últimos meses, o Messias está sendo acusado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Ministério Público Federal (MPF) de torrar 3 bilhões para eleger o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) para a presidência da Câmara e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para presidência do Senado. A montanha de dinheiro foi retirado do chamado “orçamento secreto”, através do Ministério do Desenvolvimento Regional. A oposição acusa Bolsonaro de se jogar na fossa do “Centrão” com a finalidade de comprar votos para escapar de um processo de impeachment que se aproxima com a exposição pela CPI Covid-19 da podridão existente no governo de extrema direita.

Como de bobo Bolsonaro não tem nada, ele isolou os radicais, se abraçou com o “Centrão”, comprou parte do Congresso Nacional e se especializou ainda mais em mentir de cara lavada. As milícias radicais, comandadas pelo conhecido “gabinete do ódio”, estão criando realidades paralelas, no mundo virtual, convencendo os ultradireitistas que o governo está excelente, Jair Bolsonaro é o melhor presidente do mundo e vai se reeleger no primeiro turno em 2022. Os chamados negacionistas, com perdão do trocadilho, passaram a negar as próprias falas e ações, ou seja, “falei, mas agora não falei”.

O “presida”, como gosta de ser chamado, tenta convencer a nação de que o seu governo está indo muito bem. Críticos veem nessa postura um movimento ora rotulado de “neobolsonarismo”, isto é, um novo Bolsonaro. O otimismo da turma de Jair Messias se contrapõe às pesquisas realizadas por diferentes empresas e institutos, dando conta de que ele corre um sério risco de ficar de fora do 2º turno das eleições do ano que vem.

O espectro político, guardadas as preferências ideológicas, “esquerda” ou “extrema direita”, indica que Bolsonaro ou Lula serão eleitos em 2022, porque a figura de uma candidatura, através da chamada 3ª via, está longe de se robustecer, a não ser que o ex-capitão expulso continue a despencar nas pesquisas, deixando Lula vencer no primeiro turno ou apareça outro candidato que tire do presidente a chance de chegar a disputar com o ex-presidiário de Curitiba. Os dois principais candidatos a corrida presidencial estão no ringue, trajando uma roupagem nova para tentar convencer o eleitor. Como se diz nas redes sociais, “o golpe está aí, só cai quem quer”. (Texto: Pedro Souza/Portal Debate Carajás)

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