Uma nova morte de uma mulher com suspeita de H1N1 foi confirmada no Hospital Regional Público do Araguaia (HRPA), em Redenção, sudeste do Pará. Com esse já são quatro os casos de suspeita da doença no mesmo hospital somente esta semana, todos envolvendo residentes do município. Na última quarta-feira (15), a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que uma criança morreu. Além disso, uma mulher e outra criança seguem internadas com quadro estável. A paciente internada é mãe das duas crianças.

Com relação aos dois óbitos, a mulher tinha 20 anos e foi internada no Hospital Municipal de Redenção no dia 11 de maio. Na noite deste mesmo dia, ela foi transferida para o HRPA. Já a criança era uma menina de um ano e foi internada no Hospital Municipal Materno Infantil de Redenção, transferida para o Hospital particular São Vicente e, na segunda-feira (13), deu entrada no HRPA com quadro gravíssimo.

Não houve tempo hábil para realização de exames clínicos e laboratoriais adequados nem coleta para a identificação do vírus respiratório que causou os quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Ambas morreram na segunda-feira.

Já mãe e filho, que estão internados, têm 31 e três anos, respectivamente. O garoto foi internado na segunda-feira. Ela deu entrada no hospital na terça-feira (14). Os dois receberam o protocolo de manejo de SRAG com a introdução do antiviral ‘Oseltamivir’, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde

A Sespa reforçou que mãe e filho tiveram material coletado a fim de que seja identificado qual dos diversos vírus respiratórios circulantes levou ao quadro. Segundo a Sespa, pode ser influenza A: H1N1 ou H3N2; influenza B; Parainfluenza 1, 2 ou 3; Vírus Sincicial Respiratório; Adenovírus ou Metapneumovírus. Ainda não há informações sobre quando os resultados serão divulgados.

Casos no Pará

De acordo com a Sespa, só em 2019, foram notificados 343 casos suspeitos de SRAG no Pará, dos quais em 236 (68,8%) houve coleta de secreção de nasofaringe (SNF) para diagnóstico de vírus respiratório. Destes, houve a identificação de vírus envolvido em 49 dos casos, principalmente do tipo Influenza B, com 14 casos, seguido de Influenza A (H1N1), com 10 casos, e vírus sincicial respiratório (VRS) em sete casos.

Entre os casos notificados, 21 (6%) evoluíram a óbito e 12 (57%) deles realizaram coleta de SNF. Houve isolamento viral de Influenza A (H1N1) em cinco dos casos (24%), Influenza B em 2 dos casos (10%) e VRS em um caso (5%). Não foi possível isolar o vírus respiratório envolvido nos outros oito casos.

Quanto ao tratamento, 80% dos casos fizeram uso do antiviral ozeltamivir, sendo que o Ministério da Saúde preconiza o seu uso preferencialmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, pois a demora pode levar o paciente a óbito.

Menos de 50% já foram vacinados

A Sespa destaca que os casos de Redenção devem se converter em alerta mediante o baixo número de pessoas que já foram vacinadas. A campanha segue até o dia 31 de maio com a meta de vacinar 2.074.497 pessoas ou, no mínimo, 90% desse total, que corresponde a 1.838.439 pessoas. No entanto, foram imunizadas pouco menos de 50%.

“SRAG é o agravamento da síndrome gripal com o surgimento de cansaço e falta de ar, principalmente. Portanto é muito importante que aqueles grupos prioritários (crianças, mulheres gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas, principalmente) indicados para receber a vacina contra influenza, procurem os postos de saúde e se imunizem para prevenir o agravamento e outras complicações”, alertou em nota.

Para a realização da campanha de vacinação no Pará, estão funcionando 2.958 postos de vacinação fixos, 758 volantes terrestres e 62 volantes fluviais, com 5.338 equipes de vacinação, totalizando 21.350 pessoas envolvidas.

A Sespa também ressalta que os hospitais têm obrigação de notificar todos os casos de SRAG às Secretarias Municipais de Saúde, colher amostra de secreção de nasofaringe do paciente para pesquisa de vírus respiratório e encaminhar ao Laboratório Central do Estado (Lacen-PA). Também devem iniciar o tratamento com o antiviral nas primeiras 48 horas preferencialmente.

O Liberal