Nova Ipixuna: Novas provas aproximam vereador “Joãozinho Barros” de júri popular em Marabá

Parlamentar é investigado pela Polícia Civil por ser o suposto mandate do atentado a tiros contra o também vereador Regis Santana, no dia 13 de abril de 2024.

NOVA IPIXUNA (PA) – Novas provas reunidas pela Polícia Civil do Pará podem mudar os rumos das investigações sobre a tentativa de homicídio contra o vereador Regis Santana (PP), crime ocorrido no dia 13 de abril de 2024, em frente à residência da vítima, no município de Nova Ipixuna, no sudeste do Pará.

De acordo com fontes ouvidas pelo Portal Debate, o vereador João Rodrigues de Barros Filho (MDB), conhecido como “Joãozinho Barros”, já deveria ter sido indiciado pela Polícia Civil. No entanto, o surgimento de novos elementos de prova que, segundo essas fontes, reforçariam a suspeita de participação direta do parlamentar no atentado levou o delegado responsável pelo inquérito, Celso Mendith, a solicitar a prorrogação do prazo para a conclusão das investigações.

A expectativa é que as novas diligências permitam esclarecer definitivamente a dinâmica do crime e a participação de cada investigado antes do encerramento do inquérito policial em andamento.

O caso é acompanhado pela Superintendência Regional da Polícia Civil do Sudeste do Pará, comandada pelo delegado Antônio Mororó, responsável pela coordenação das ações da instituição na Região Sudeste do Pará.

Investigado, vereador “Joãozinho Barros” – Foto: Redes Sociais

Atentado chocou a Região de Carajás

O ataque contra Regis Santana provocou forte repercussão em Nova Ipixuna e em toda a Região de Carajás. Na ocasião, o parlamentar foi atingido por disparos nas pernas e nos braços, além de um tiro que passou de raspão pela cabeça. Como diz o ditado popular: “escapou fedendo”.

Depois de receber os primeiros atendimentos no Hospital Municipal de Nova Ipixuna, o vereador foi transferido para o Hospital Regional do Sudeste do Pará, em Marabá, onde permaneceu internado durante alguns dias em razão da gravidade dos ferimentos causados pelos tiros.

A tentativa de assassinato de um vereador contra outro integrante do mesmo Poder Legislativo municipal foi considerada um dos episódios políticos mais graves da história recente de Nova Ipixuna, gerando grande preocupação entre moradores e lideranças políticas da cidade localizada às margens da PA-150.

Prisões durante as investigações

As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontaram “Joãozinho Barros” como principal suspeito de envolvimento no atentado. Em 13 de junho de 2024, ele foi preso durante uma operação policial realizada em Nova Ipixuna.

Na mesma ação também foram presos o homem apontado como autor dos disparos e outro suspeito de atuar como piloto da motocicleta utilizada no crime. Os nomes desses investigados não foram divulgados oficialmente pelas autoridades, mas eles já “abriram o bico” durante conversas em mesas de bar sobre o mandate do crime e as provas teriam chegado à Polícia Civil.

Após permanecer preso por determinado período, “Joãozinho Barros” obteve liberdade por decisão judicial, ficando inicialmente afastado do cargo. Posteriormente, voltou a disputar as eleições municipais, foi reeleito vereador e retornou às atividades legislativas como se nada de errado tivesse feito contra seu adversário político.

Regis Santana também se recuperou dos ferimentos, reassumiu seu mandato na Câmara Municipal e igualmente foi reeleito pela população. O parlamentar continuou a fazer uma oposição ferrenha ao atual prefeito de Nova Ipixuna, amigo pessoal de “Joãozinho Barros”.

Vítima, vereador Regis Santana – Foto: Redes Sociais

Advogado acompanha o caso

Recentemente, o advogado criminalista Diego Souza passou a atuar oficialmente no acompanhamento jurídico do caso, prestando assistência relacionada às investigações sobre o atentado sofrido por Regis Santana. Dr. Diego Souza tem-se destacado na área criminal, com forte atuação junto a seus clientes, por isso foi contratado por Regis Santana para fazer o acompanhamento jurídico do parlamentar baleado.

A chegada da defesa técnica coincide justamente com a nova fase do inquérito, marcada pelo surgimento de novos elementos probatórios e pela necessidade de ampliação das diligências antes da conclusão das investigações.

Advogado, Dr. Diego Souza – Foto: Redes Sociais

Possível julgamento pelo Tribunal do Júri

Caso o delegado Celso Mendith conclua o inquérito pelo indiciamento de “Joãozinho Barros’ e o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) ofereça denúncia que venha a ser recebida pela Justiça, o parlamentar poderá responder por tentativa de homicídio qualificado.

Se, ao final da fase judicial, houver decisão de pronúncia, o vereador será submetido ao Tribunal do Júri. Como Nova Ipixuna integra a Comarca vinculada à região judiciária de Marabá, um eventual julgamento deverá ocorrer no Fórum Criminal de Marabá, onde sete jurados decidirão sobre a responsabilidade criminal do acusado.

Nos bastidores da política local, continuam circulando comentários de que o vereador teria atuado apenas como intermediário de uma suposta trama criminosa mais ampla. Até o momento, porém, essa hipótese não foi confirmada oficialmente pelas autoridades, mas segue no “radar” da Polícia Civil.

O inquérito policial ainda não foi concluído, e os investigados têm assegurados os direitos ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência durante todo o processo, mas que “esse angu tem caroço tem”. (Portal Debate)

Fórum Criminal de Marabá – Foto: Correio de Carajás

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