Desde então, Riseli passou por duas cirurgias e ainda deverá ser submetida a pelo menos mais duas. Uma delas é para tratar o céu da boca, que permanece aberto, o que a impede de se alimentar normalmente — atualmente sua dieta é restrita a alimentos pastosos e líquidos.
A outra envolve um transplante de córnea, já que um dos olhos foi gravemente comprometido. O procedimento, no entanto, não é realizado em Santarém, e a família precisa levá-la a Belém ou Marabá.
Em entrevista ao g1, a jovem contou que, além das dores físicas, enfrenta um sofrimento emocional intenso.
“Nunca pensei que fosse passar por uma situação dessas. A dor física é grande, mas o sofrimento emocional é ainda maior. Ainda estou abalada, com medo. Não me sinto segura. Tenho medo dele sair da cadeia”, desabafou.
Riseli relatou que foi acolhida na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e recebeu orientações, mas por viver em uma comunidade distante e ainda estar debilitada, não conseguiu retornar para dar continuidade ao atendimento psicológico.
A tentativa de feminicídio aconteceu dentro de casa, enquanto Riseli descansava em uma rede. A motivação do crime, segundo ela, teria sido a recusa em fornecer a senha do Wi-Fi ao cunhado, que, conforme relatou, costumava circular alcoolizado pela comunidade.
A família, de origem humilde, enfrenta agora dificuldades para viabilizar o tratamento completo de Riseli fora do município. São necessários recursos para transporte, alimentação, hospedagem e medicamentos.
Enquanto isso, o suspeito Ismael Batista Ferreira permanece preso, e o caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. (Com g1)


