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Mulher de promotor pode ter sido morta em ritual macabro, apontam investigações

Falta de sangue no corpo de Lorenza Pinho intriga legistas. André de Pinho foi denunciado por homicídio pelo Ministério Público
Segundo os investigadores, Lorenza sofria de uma depressão profunda, agravada por problemas com álcool e remédios | Foto: Internet
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Lorenza de Pinho, morta no dia 2 de abril deste ano, em Belo Horizonte, nasceu Lorenza Maria Santos Silva, em 25 de agosto de 1979, na capital do Paraná, Curitiba. Filha de um piloto de avião e de uma comissária de bordo, ela se mudou com a família, ainda criança, para Minas Gerais. Tinha apenas uma irmã, gêmea.

O Ministério Público denunciou o marido dela, o promotor André de Pinho, por assassinato. Ele está preso desde o dia 4 de abril. Investigações apontam que Lorenza pode ter sido morta em um ritual macabro (relembre a cronologia do caso ao final da reportagem).

“Ela sempre foi muito faladora, muito sapeca, mas muito obediente”, lembrou o pai dela, Marco Aurélio Alves Silva, em entrevista ao G1 nesta terça-feira (18).

O perfil descrito por ele é muito diferente do apontado pelas investigações. O prontuário médico de Lorenza tinha 14 mil páginas. Segundo os investigadores, ela sofria de uma depressão profunda, agravada por problemas com álcool e remédios.

Lorenza Pinho foi encontrada morta no dia 2 de abril. — Foto: Reprodução / Facebook
Lorenza Pinho foi encontrada morta no dia 2 de abril | Foto: Reprodução/Facebook

“Eu fui saber desses problemas há pouco tempo. Há cerca de três anos, período que coincidiu com a enorme crise financeira que eles passavam. Minha filha nunca teve depressão antes do André. Ele a afastou de nós, de mim, da irmã, da tia, dos amigos. Ele a isolou”, disse o pai.

Lorenza estudou nos colégios Promove e Santo Antônio, tradicionais instituições de Belo Horizonte. Sonhava em conhecer o mundo e se formar em administração. Ela fazia o curso na Una, mas, três meses antes da graduação, desistiu. Na época, Lorenza havia engravidado do então namorado, André de Pinho, e resolveu se casar.

“Eu nem sabia quem ele era. Um dia ela chegou em casa com a certidão de casamento e disse, ‘papai, me casei e estou grávida’'” E aí foi morar com André na casa do pai dele. Ele já era promotor na época”, disse Marco Aurélio.

Promotor André de Pinho foi denunciado pela morte de sua mulher, Lorenza. — Foto: Arquivo G1
Promotor André de Pinho foi denunciado pela morte de sua mulher, Lorenza | Foto: Arquivo G1

Lorenza tinha 23 anos na época. Ela e André tiveram cinco filhos. Lorenza morreu aos 41 anos.

“Eu sinto falta de tudo sobre minha filha. Arrancaram uma metade de mim”, falou o pai de Lorenza.

Ritual macabro

Lorenza de Pinho pode ter sido assassinada em um ritual macabro, segundo fontes ligadas à investigação. O Ministério Público afirma ter provas suficientes de que o promotor cometeu o crime sozinho.

A falta de sangue no corpo de Lorenza intriga os investigadores. Ela não foi explicada pelo laudo da necropsia. O legista só conseguiu extrair 25 ml para fazer os exames toxicológicos e de dosagem de álcool.

“Uma mulher normal, de um peso normal, (tem) uma média de cinco, cinco litros e meio de sangue no corpo”, disse o legista Marcelo Mares Castro.

Na agenda do promotor foram encontrados dois contatos de cursos de tanatopraxia, técnica de conservação de cadáveres que consiste na troca do sangue por substâncias sintéticas. Em depoimento, ele negou ter feito esse curso.

A pedido do Ministério Público, a Polícia Civil também analisou se o casal frequentava algum local destinado a prática de atividades de cunho religioso.

Cirucito de segurança mostra promotor chegando em casa com duas garrafas de cachaça, um dia antes da morte de Lorenza. — Foto: Circuito de segurança/reprodução
Circuito de segurança mostra promotor chegando a casa com duas garrafas de cachaça, um dia antes da morte de Lorenza | Foto: Reprodução

defesa nega que André tenha feito algum procedimento no corpo de Lorenza. Desde o início das investigações, ela também nega que o promotor tenha cometido algum crime.

O corpo dela ficou no apartamento das 7h30, quando a equipe médica foi embora, até cerca de 14h, quando foi levado pela funerária.

O Ministério Público não incluiu esse fato na denúncia pra não perder o prazo de 30 dias e também porque não considerou que isso poderia mudar a acusação.

Relembre a cronologia do caso:

  • 2/4/2021 – Lorenza é encontrada morta
  • 3/4/2021 – Morte de mulher de promotor começa a ser investigada em Belo Horizonte
  • 4/4/2021 – Polícia Civil faz busca e apreensão em casa e prende promotor
  • 4/4/2021 – Polícia Civil vai até prédio onde casal morava em BH
  • 5/4/2021 – Pai e irmã de mulher de promotor morta em BH prestam depoimento nesta segunda; filhos mais velhos já foram ouvidos
  • 5/4/2021 – Pai e irmã de mulher de promotor morta em BH chegam à Procuradoria-Geral de Justiça para depor
  • 6/4/2021 – Guarda dos filhos de promotor preso é concedida a médico da família
  • 7/4/2021 – Médico diz que, antes de morrer, mulher de promotor fez documento para que ele ficasse com guarda dos 5 filhos do casal
  • 9/4/2021 – Se for feminicídio, MP ‘vai até o fim’, diz procurador-geral sobre morte de mulher de promotor
  • 12/4/2021 – Certidão de óbito de mulher de promotor morta em BH aponta ‘autointoxicação por exposição intencional a outras drogas’
  • 13/4/2021 – Corpo de mulher de promotor morta em Belo Horizonte é liberado pelo IML
  • 14/4/2021 – Corpo de Lorenza Pinho é enterrado em Barbacena
  • 15/4/2021 – Ministério Público ouve tia de mulher de promotor morta em Belo Horizonte
  • 19/4/2021 – G1 tem acesso ao laudo do IML, que indicou que houve assassinato. No mesmo dia, médico que atestou o óbito de Lorenza prestou depoimento.
  • 20/4/2021 – Pastor amigo do casal é ouvido na procuradoria e nega que o corpo de Lorenza tinha sinais de violência
  • 22/4/2021 – Primo de promotor, que é médico, é ouvido sobre morte de Lorenza de Pinho
  • 27/4/2021 – Promotor é ouvido pelo Ministério Público e defesa volta a negar que ele tenha cometido crime
  • 29/4/2021 – G1 antecipa que André Pinho será denunciado por homicídio de Lorenza, e sua defesa volta a negar o crime
  • 30/4/2021 – Ministério Público conclui as investigações e denuncia André Pinho por homicídio qualificado (feminicídio, motive torpe, recurso que dificulta defesa da vítima e asfixia). Médicos que atestaram o óbito da vítima foram denunciados por falsidade ideológica. MP detalha motivos que promotor teria tido e diz que ele decidiu esganá-la por não conseguir intoxicá-la. Pai de Lorenza comemora denúncia.
  • 4/5/2021 – Justiça mantém promotor preso pelo homicídio da mulher após pedido do Ministério Público
  • 7/5/2021 – Ministério Público explica ao G1 por que promotor estava afastado do órgão desde 2019.
  • 9/5/2021 – Pai de Lorenza de Pinho faz homenagem à filha em Belo Horizonte pelo Dia das Mães
  • 12/5/2021 – Justiça decide manter prisão preventiva de promotor denunciado por matar a mulher
  • 16/5/2021 – Promotor tinha contatos de cursos sobre técnicas para retirar sangue de corpo
  • 17/5/2021 – Mulher de promotor pode ter sido morta em ritual macabro, segundo investigações

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