MPF pede anulação de contrato de mineração de ouro na região do Xingu

Contrato foi firmado entre a empresa canadense Belo Sun e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2021.

O Ministério Público Federal (MPF) se manifestou pela anulação do contrato de mineração de ouro na região da Volta Grande do Xingu, no Pará, firmado entre a empresa canadense Belo Sun e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 2021.

Em abril de 2022, uma ação das Defensorias Públicas da União e do Pará pediu à Justiça a anulação do contrato de instalação da mineradora. A manifestação do MPF ocorreu no dia 30 de janeiro, também a pedido da Justiça Federal.

O g1 solicitou um posicionamento ao Incra, à empresa Belo Sun e à DPE e DPU e aguarda retorno.

No parecer do procurador Rafael Nogueira Sousa, o MPF diz que o contrato de mineração da Belo Sun se sobrepõe na maior parte ao Projeto de Assentamento Ressaca, que corresponde a cerca de 1.439 hectares.

“O MPF não compactua com a imposição de direitos minerários sobre áreas afetadas à reforma agrária, especialmente em um estado marcado por sangrentos conflitos rurais pela posse de terras e que, apesar da imensidão territorial, carece de áreas aptas à implementação de políticas públicas de acesso à moradia e ao trabalho”, afirma.

A manifestação também aponta que a atuação do Incra está “em dissonância” com os objetivos da criação do órgão, indicando “favorecimento à Belo Sun ao, supostamente, adotar medidas para convalidar compra ilegal de terras públicas”.

Segundo o MPF, a compra dos lotes de terra e a ausência de moradores nas áreas do Projeto de Assentamento Ressaca foram fatores determinantes para que o contrato de mineração fosse feito.

Porém, a manifestação do Ministério Público Federal diz que “indícios apontam que a empresa realizou as compras irregularmente” dos lotes de terra.

Com as decisões de 2022, segue vigente o julgamento que suspendeu a licença de instalação da Belo Sun “até que sejam supridas todas as etapas necessárias para correta mensuração de seus impactos para as comunidades atingidas”. (Com g1 Pará)

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