Morreu na segunda-feira, aos 83 anos, Tina Turner, rainha do rock nos anos 1960 e 1970 e ícone do pop nos 1980. Ela estava em casa, na Suíça. A causa da morte não foi divulgada.
Voz de hits como “What’s Love Got to do With It” e “Proud Mary”, Tina vendeu mais de 180 milhões de álbuns ao redor do mundo. Também foi uma das grandes intérpretes do rock e venceu 12 prêmios Grammy.
Tina Turner no palco em Nova York, em agosto de 1987. Foto faz parte da exposição da cantora no MIS, em SP – MIS
Tina nasceu Anna Mae Bullock, em Brownsville, no Tenessee, nos Estados Unidos, em 1939. Abandonada pelo pai junto com a irmã, Alline, ela foi morar com a avó.
Cantou na igreja na infância e, aos 17 anos, passou a integrar a banda Kings of Rhythm, do já bem-sucedido Ike Turner, com quem ela se casou em 1962. Com o marido, a cantora formou uma das parcerias seminais do rock americano.
Em 1960, eles gravaram “A Fool in Love”, música que marcou o nascimento de Tina Turner na banda de Ike—antes, ela se apresentava como Little Ann. A estética da música ainda era muito ligada ao R&B e ao blues, mas a interpretação da cantora já era agressiva, com gritos e vocais rasgados.
Nos anos 1960 e 1970, a banda Ike & Tina Turner Revue ficou conhecida pelos hits de soul e rock, pelas baladas românticas e pelas performances incendiárias em cima do palco. Os álbuns “River Deep-Mountain High”, de 1966, com a faixa-título, e “Workin’ Together”, de 1970, com “Proud Mary”, foram os maiores sucessos da trajetória do casal.
Em “River Deep-Mountain High”, Ike e Tina contaram com a atuação de Phil Spector, produtor que atingiu na faixa o ápice de sua produção no chamado estilo “parede de som”, que empilha camadas de harmonia e instrumentos diferentes.
Mas o casamento de Tina e Ike foi marcado por violência desde o princípio. O músico deu a ela o nome artístico, mas o registrou como uma marca de sua propriedade. Caso ela deixasse a banda, ele poderia substituí-la e usar seu nome.
Na autobiografia “Eu, Tina”, de 1986 —transformada em filme em 1993, com Angela Bassett—, Tina falou sobre os abusos físicos e psicológicos que o marido praticava. Além de bater nela, Ike tinha o costume de traí-la com outras mulheres, praticar sexo violento e sem consentimento, além de obrigá-la a cantar mesmo que ela não estivesse se sentindo bem. (Com Folha)


